O movimento “Caparica com Cidadania” defendeu esta quinta-feira no parlamento que a população de Almada não foi escutada na decisão de extensão do Metro Sul do Tejo à Costa da Caparica e à Trafaria.

O movimento foi hoje ouvido na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação na sequência de uma petição com 1.476 assinaturas que contesta a extensão do Metro Sul do Tejo, no distrito de Setúbal, considerando que degradará o ambiente da zona e representará um elevado custo para os contribuintes.

Em fevereiro de 2025, o Governo, a Câmara Municipal de Almada e a Faculdade de Ciências e Tecnologia fizeram uma apresentação do projeto “O Metro vai chegar à Costa da Caparica e à Trafaria”.

O traçado em estudo prevê uma extensão de 7,16 quilómetros e incluirá 10 estações: Pêra, Várzea de Pêra (com ligação ao Funchalinho), Centro da Costa da Caparica, Parque Urbano da Costa da Caparica, Santo António, São João, São Pedro, Madame Faber/Matas Nacionais, Bombeiros Voluntários da Trafaria e Estação Fluvial da Trafaria.

Em julho de 2024, o ministro das Infraestruturas disse esperar que as obras para a extensão do Metro Sul do Tejo pudessem arrancar dentro de cinco a sete anos.

Para o movimento “Caparica com Cidadania”, esta apresentação realizada em fevereiro não representou uma verdadeira auscultação da população.

Movimento de moradores e comerciantes da Costa de Caparica contesta extensão do Metro Sul do Tejo

“Aquilo que eu posso dizer é que se apresentou à população um estudo, fez-se perguntas, mas não se escutou a população. E eu estive lá, portanto, sei o que estou a dizer, tal como todos os outros munícipes. Portanto, quando se fala em escuta pública, não é escuta pública, vamos a uma reunião de decidir mas já está decidido. Isso não é escuta pública. Isto não é honestidade democrática, não é necessidade política e não é necessidade intelectual”, disse Daniel Ferreira de Castro Queiroz, do movimento “Caparica com Cidadania”

Os signatários da petição consideram que, do ponto de vista custo-benefício, não faz sentido investir num metropolitano numa cidade piscatória/balnear como a Costa da Caparica, com cerca de 14 mil habitantes.

Considera o movimento que um dos principais problemas de um metropolitano de superfície é o seu elevado custo de construção e manutenção, que poderão não ser compensados pelo volume de passageiros transportados.

Por outro lado, este movimento de moradores e comerciantes advoga que o período de construção iria causar transtornos consideráveis, impactando negativamente a economia da cidade durante anos.

A deputada do PSD Margarida Saavedra referiu que foi aberta uma discussão pública sobre a extensão do Metro Sul do Tejo a 03 de junho e que ainda não existe qualquer decisão tomada, mas apenas um projeto que está integrado num plano para toda a Área Metropolitana de Lisboa.

A deputada adiantou que está a ser feito um estudo de impacto ambiental e, de acordo com as resoluções desse estudo, se for negativo, o projeto poderá ser alterado.

O deputado do Chega Nuno Gabriel referiu que o projeto está ainda numa fase de estudos preliminares, nomeadamente de impacto ambiental, territorial, acústico e socioeconómico e que o seu partido através dos seus autarcas em Almada, irá acompanhar o assunto, defendendo contudo que deve ser garantida a auscultação da população.

Nuno Gabriel adiantou que o Chega levará esta questão à Assembleia Municipal de Almada.

Já o deputado do PS Frederico Francisco disse estar perplexo face a uma petição que “vem pedir menos Metro”.

“Porque Lisboa é uma área metropolitana de três milhões de pessoas e, numa área metropolitana, o metro devia chegar a todo lado. A única solução permanente para resolver o congestionamento do tráfego automóvel e para permitir que as pessoas desloquem eficazmente é ter modos de transporte eficazes”, disse.

A deputada da Iniciativa Liberal Angélique Da Teresa disse não ser contra a extensão do metro sul do Tejo e questionou os peticionários se tinham participado na discussão pública realizada pela Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, em fevereiro de 2025, a mesma que Daniel Ferreira de Castro Queiroz do movimento “Caparica com Cidadania” disse não ter sido uma verdadeira auscultação da população.

O deputado Filipe de Sousa, do partido Juntos pelo Povo, questionou os peticionários se têm algum estudo técnico e económico sobre as alternativas que advogam para a mobilidade no território, nomeadamente a substituição do metro por um metro bus, tendo estes respondido que o movimento não tem meios financeiros para efetuar estudos.