Um grupo de encarregados de educação da Escola Básica n.º 2 da Costa da Caparica marcou um protesto para quarta-feira contra a falta de refeitório no estabelecimento de ensino, situação que obriga os alunos a almoçarem em contentores.
Segundo os encarregados de educação, a situação já se arrasta há anos e tem vindo a ser contestada.
Contudo, na terça-feira, um curto-circuito num dos contentores onde almoçavam 80 crianças desencadeou esta manifestação.
O refeitório daquela escola do distrito de Setúbal já apresentava problemas em 2020, ano em que foi elaborado um projeto de reabilitação do espaço, mas os concursos públicos para a empreitada lançados em 2021 e 2023 ficaram desertos.
Entretanto, em março de 2024, a sala de refeições foi interditada devido ao risco de ruína, tendo sido instalados contentores provisórios no pátio da escola.
Em declarações à agência Lusa, Patrícia Cardoso, uma das organizadoras da ação de protesto, explicou que a situação já era preocupante porque obrigava os alunos a almoçar por turnos, mas o recente curto-circuito veio acrescentar uma nova preocupação.
“Percebemos que o contentor não tem sequer saídas de emergência. Parece que houve um curto-circuito com um foco de incêndio e não sabemos como foi feita a retirada das crianças”, disse.
Este assunto foi também levado à última reunião da Assembleia Municipal de Almada, que decorreu na quarta-feira, pela Associação de Encarregados de Educação da Escola Básica n.º 2 da Costa da Caparica, alertando para a necessidade urgente de serem dadas condições às cerca de 300 crianças que frequentam aquele estabelecimento de ensino.
“Desde março de 2024 que as nossas crianças comem em contentores provisórios, por turnos, alguns às 14h30. Na passada terça-feira este contentor teve uma explosão e princípio de incêndio no quadro elétrico, foram evacuadas em pânico e só por sorte não houve feridos”, disse Marisa Leite, daquela associação, indicando que teve entretanto conhecimento de que a autarquia assinou um despacho para se dar início a um novo concurso para a requalificação do refeitório.
Para Marisa Leite, saber deste anúncio não chega, “porque isso não resolve o problema que existe atualmente”, e pediu uma resposta ao pedido formal de esclarecimento que a associação de pais entregou sobre a avaliação técnica ao contentor após o incidente: Qual a lotação máxima, quais as saídas de emergência e o que causou o curto-circuito.
A associação de pais exige também que sejam feitas melhorias imediatas no atual contentor enquanto durar a situação provisória.
“Não esperar pela obra nova para garantir que aquele espaço é seguro. Basta imaginar a tragédia que poderia ter acontecido se o incidente de ontem [terça-feira] tomasse proporções mais graves. Não vimos pedir mais uma promessa, vimos pedir datas, responsáveis e factos. As nossas crianças não podem continuar a ser variável de ajuste de um processo que dura há mais de seis anos”, disse na Assembleia Municipal de quarta-feira.
Em resposta a esta declaração, às intervenções do deputado municipal do PSD, Luís Durão, e da presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, Vanessa Krause, o vice-presidente da Câmara Municipal de Almada, Filipe Pacheco, explicou que “foi um problema elétrico num monobloco novo, prontamente resolvido” e que todos os procedimentos de segurança foram adotados pelos funcionários da escola.
“Não foi necessário acionar meios de socorro e, assim que a Câmara Municipal tomou conhecimento, deslocaram-se ao local eletricistas assim como a empresa do monobloco. Foi feita a verificação de todos os sistemas elétricos e o problema foi resolvido”, disse Filipe Pacheco.
Quanto ao refeitório, o autarca disse que houve dois concursos públicos que ficaram desertos e que agora foi assinado um despacho de autorização de despesa para enviar o projeto final revisto para relançamento da empreitada.
“O que tinha sido o meu compromisso foi, até ao final do ano, lançar o concurso de empreitada e hoje foi feito”, disse Filipe Pacheco na Assembleia Municipal, acrescentando que estão, entretanto, a ser estudadas soluções para ver se é viável colocar um monobloco adicional para tentar fazer apenas dois turnos de almoço.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]