Quem visse a primeira parte da final da Taça da Liga, dificilmente poderia imaginar o epílogo da decisão. Ou melhor, se visse 45 minutos e não soubesse tudo aquilo que tinha acontecido antes. Porquê? Tudo o que ia acontecendo não era nem mais nem menos do que acontecera antes, com o Sp. Braga a ser mais forte numa metade inicial e com o V. Guimarães a guardar o melhor para o segundo tempo como se toda a caminhada para a história tivesse de ser marcada por reviravoltas. Entre uma e outra premissa, ganhou a segunda. E ganhou mais uma vez com dois heróis (im)prováveis que voltaram a fazer a diferença de uma ponta à outra do campo num remake daquilo que já tinha ocorrido nas meias-finais diante do Sporting.
O rei Charles deu a coroa ao príncipe Ndoye (a crónica da final da Taça da Liga)
Na baliza, Charles. Era complicado ter uma exibição “maior” do que aquela que tinha travado os leões no último encontro mas o brasileiro de 31 anos, que chegou a Portugal via Marítimo depois de fazer a formação no Cruzeiro e de passar pelo Vasco da Gama e esteve ainda no Vizela e nos cipriotas do Olympiakos Nicosia, foi ainda mais determinante, fazendo um total de seis defesas ao longo do encontro (com o Sporting tinham sido oito) e travando uma grande penalidade de Zalazar no sétimo minuto de descontos que segurou mesmo o troféu. Depois de ter sido a “sombra” de Bruno Varela durante duas épocas, Charles voltou a ser número 2 na baliza em detrimento de Juan Castillo mas mostrou na Taça da Liga que, ali, todos contam.
⚽️ MVP GOALPOINT ⭐️
⚪️ Vitória SC 2 – 1 Braga ????◉ CHARLES SILVA ???????? voltou a ser decisivo na jornada gloriosa do Vitória e a pergunta que fica agora é: será que vira finalmente titular nos conquistadores (algo que o Antunes sempre esperou, com base no seu histórico… pic.twitter.com/bPDW2ketZU
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Na frente, Alioune Ndoye. O jovem avançado senegalês de 24 anos já tinha saído do banco para fazer um bis para a reviravolta diante do Sporting, tornando-se o primeiro suplente a marcar dois golos nos descontos na Taça da Liga e “dobrando” o número de golos que levava em 18 jogos até então na presente temporada. Também ele tinha guardado o melhor para o final: entrando aos 77′ para o lugar de Nelson Oliveira além do regressado Gustavo Silva, Ndoye obrigou Hornicek a uma defesa fantástica num cabeceamento ao segundo poste mas, na sequência de um canto, conseguiu mesmo voltar a ser decisivo para o triunfo dos minhotos, marcando o 2-1 de cabeça a discutir a bola pelo ar com o também gigante Lagerbielke. Com isso, o avançado tornou-se o melhor marcador da presente edição da Taça da Liga, conseguindo apenas nos dois encontros da Final Four da competição em Leiria passar de dois para cinco golos na época… sempre a sair do banco.
Podemos ganhar a qualquer equipa nesta prova. Espero que possa ser o meu primeiro troféu em Portugal. Ficaria muito feliz, tal como a equipa”, tinha dito Ndoye. Prometeu… e cumpriu.
Ndoye a brilhar na Taça da Liga: isola-se como melhor marcador prova ???? – 3 golos, todos apontadosnas meias-finais e na final
⚠ No total da época, Ndoye soma 5 golos, mais de metade apontados nos 2 últimos jogos pic.twitter.com/Bd5xwTQbkc
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Nascido em Rufisque, no Senegal, o avançado foi fintando as probabilidades sem nunca perder o rumo e de forma constante a subir degrau após degrau. Começou a jogar no Teunguteh FC, um clube onde pai tinha sido treinador e presidente, foi ganhando taças locais e tornou-se um goleador. Entrou no radar de clubes europeus franceses e espanhóis, arriscou aos 18 anos uma aventura no modesto Valmiera, da Letónia. O choque da mudança foi grande (a ponto de confidenciar que nem sentia os pés por causa do frio…), a aposta acabou por valer a pena mesmo não tendo impacto imediato, valendo a temporada de 2024 onde marcou 22 golos em 34 encontros. Em janeiro, o Servette conseguiram ganhar a corrida pelo jogador, que fez quatro golos em 15 partidas na Suíça e justificou o investimento de 700 mil euros do V. Guimarães.
O INEVITÁVEL. #UnidosPeloVitória • #VSCSCB pic.twitter.com/ft80vAdaks
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“Acredito que poderei marcar muitos golos em Portugal. Venho com essa ambição. Tenho o objetivo de jogar numa prova europeia, esse é um dos meus sonhos. Sonho também em conquistar a Liga dos Campeões. Por que não?”, comentou quando foi anunciado pelos minhotos, revelando também a sua maior referências: “O meu ídolo é o Cristiano Ronaldo. Sempre apreciei a forma de jogar e a facilidade com que marca golos. É uma inspiração. Desde criança que adoro Cristiano Ronaldo”. Depois do encontro com o Sporting, Ndoye ganhou a alcunha de Drogba por parte de Fernando Meira. Agora, ficará para sempre na história.
Estou muito contente. Foi um jogo muito difícil mesmo. Quando entrei estava focado e tive a felicidade de fazer o golo. Jamais vou esquecer este jogo e ter marcado o golo que valeu o triunfo. É um golo que pode mudar a carreira, talvez, mas o que sei é que tenho de continuar a marcar golos”, comentou o avançado senegalês à SportTV no final do encontro.
????????Alioune Ndoye é o primeiro suplente a bisar nos descontos num jogo da Taça da Liga: 90'+2 e 90'+11 pic.twitter.com/CaeGYKRtHV
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Ndoye foi o melhor marcador da Taça da Liga:
➡ 3 jogos
➡ 3 jogos como suplente utilizado
➡ 57 minutos
➡ Marcou a cada 19 minutos pic.twitter.com/mWrwcJcLAq— Playmaker (@playmaker_PT) January 10, 2026
A noite foi também especial para Luís Pinto, treinador de 36 anos do V. Guimarães que conquistou o seu segundo título em seis meses (de novo em Leiria). Após começar na formação de Boavista, Salgueiros e Trofense, foi adjunto na U. Leiria, onde fez a estreia como técnico principal. Seguiram-se passagens por Mirandela, Felgueiras, Real, Leça, Lusitânia de Lourosa, Fafe e Tondela, onde bastou uma temporada para se sagrar campeão da Segunda Liga. Agora, nos minhotos, conseguiu o terceiro título da história do clube.
Aos 36 anos, Luís Pinto conquista o 2.º ???? título da carreira de treinador:
II Liga (2024/25, CD Tondela)
Taça da Liga (2025/26, Vitória SC)⚠ Os jogos que valeram os títulos de Luís Pinto foram ambos disputados em Leiria pic.twitter.com/Klbv0nlvyY
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“Reviravolta? Parece que é um bocadinho o filme dos três jogos e do que tem sido necessário ao longo desta época, que é termos sempre capacidade para responder quando as coisas não estão a correr da forma como queremos, conseguimos unir-nos. A primeira parte foi bastante difícil, o Sp. Braga tira a bola com muita qualidade, é um jogo de paciência e torna-se chato defrontá-los porque têm muita capacidade mas a malta conseguiu manter-se unida e perceber que estávamos vivos. Na segunda parte, as coisas foram um bocadinho diferentes, eles conseguiram trabalhar muito e agarrar-se uns aos outros. Essa foi a imagem dos três jogos e da época. Golos do banco? É mesmo algo que acho que é importante. O futebol está em constante mudança e daqui a quatro ou cinco anos será diferente. Os jogadores que estão no banco têm importância e felizmente tivemos a felicidade porque é preciso tê-la para as coisas serem bem sucedidas”, frisou o técnico.
Vitória SC conquista a ???? Taça da Liga com 3 vitórias em 3 jogos – e todos com reviravolta no marcador:
FC Porto: 3-1
Sporting: 2-1
SC Braga, 2-1⚠ No total, os vimaranenses já conseguiram 5 reviravoltas esta época pic.twitter.com/33k5UI2vwd
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“O que representa? Para mim, muita coisa. Significa que são sete anos de treinador principal, mais cinco ou seis de adjunto. Andámos num processo de acreditar muito naquilo que poderá ser o futuro, mas nem sempre com as melhores condições. Infelizmente em Portugal passam-se algumas dificuldades nas divisões mais baixas. Aqui significa olhar para trás, perceber que vale a pena persistirmos, sermos resilientes e que o trabalho acaba por devolver muita coisa. Crença na equipa técnica nós temos, mas tanto no futebol como na vida, as coisas não correm sempre bem, mas temos de acreditar sempre e fazer o nosso melhor”, destacou.