Depois de ter estado no primeiro dia de campanha oficial, Rui Rio foi este sábado de novo à campanha de Gouveia e Melo atirar contra António José Seguro, João Cotrim Figueiredo e André Ventura. Num almoço em Famalicão, o mandatário nacional do almirante começou por atirar ao ex-líder do PS, ao dizer que “o melhor Presidente da República não é aquele que consegue falar mais tempo sem dizer nada. Esses são excelentes para fazer discursos em casamentos, batizados e despedidas de solteiros.” Logo de seguida começou a visar André Ventura para dizer que o melhor também “não é aquele que diz as tiradas mais populistas, porque o Presidente tem de ser o homem sério e responsável”.
Continuando a atirar ao líder do Chega, Rui Rio diz que o Presidente “não é aquele que faz aumentar as audiências televisivas porque o Palácio de Belém ainda não é a Casa dos Segredos”. O ex-líder do PSD atinge depois Marques Mendes para dizer que “os que fazem aumentar as audiências podem ser bons para uma carreira de comentador político ou desportivo, mas o Presidente tem de ser sóbrio”.
Rui Rio atira também a João Cotrim Figueiredo para dizer que um Presidente não pode ser um “tanto faz” e diz que o liberal é daqueles que “tanto faz estarem no Parlamento Europeu como na Presidência da República. A dignidade do cargo de Presidente não permite um candidato tanto faz”. A esse propósito, lembra que no Porto Elisa Ferreira fez o mesmo e levou um “cartão amarelo”, porque o “povo do Porto não aceitou”. E, agora, acredita o povo vai dar “um cartão vermelho” a Cotrim. O ex-autarca do Porto termina a intervenção a concluir que Gouveia e Melo é o único candidato com “coragem e independência” para ser Chefe de Estado. Depois de Rio, domingo deverá ser a vez de Isaltino Morais dar uma ajuda a Gouveia e Melo.
Gouveia e Melo atira a “cinismo” de “casamento por conveniência” entre costistas e seguristas
O discurso vivo de Rio roubou os leads ao almirante, que também fez uma ligeira alteração no discurso, atirando a seguristas e… costistas. Henrique Gouveia e Melo voltou a atirar-se a Seguro para o acusar de “cinismo”, por pedir “oportunidade de servir um alto único cargo na nação”. O almirante considera o candidato apoiado pelo PS cínico porque ainda há meses o acusava de ser “experimentalista”.
Na mesma linha de ataque a Seguro, Gouveia e Melo diz que o candidato apoiado pelo PS “criticou pessoas dizendo que tinham interesses por detrás do partido” e agora “essas pessoas estão agora juntas unidas num casamento por conveniência. Eu que não sou da política nunca entendo isto. É cinismo”.
O almirante criticou ainda João Cotrim Figueiredo e o súbito interesse nos mais velhos: “Vejo muitos candidatos a ir ver o lar de idosos, com ar muito piedoso, mas durante anos no sistema político não tiveram a preocupação com os mais velhos”. E de forma mais sucinta, também atiraria a Marques Mendes: “O País precisa de quem queira servir o País, não quem queira servir-se do país”.
Gouveia e Melo volta a atirar a Cotrim (o já diz que vai ser “amigo do Governo”) e Seguro (que parece que concorre para “miss mundo”)
À tarde, em Santo Tirso, Gouveia e Melo entrou na confeitaria São Bento e — enquanto lanchava com Isaltino Morais e Rui Rio — e admitiu que se aconselha com aquelas “duas pessoas muito experientes, que já deram muito à política nacional”.
Quanto a bons conselhos que conta seguir, confessa que passam “ouvir o que as população tem para dizer, que é ter mais ouvidos abertos do que dizer proclamações.” Sobre o que vai fazer em Belém, na mesma pastelaria de Santo Tirso, disse que podia exercer “pressão constante, exigência” e que a função deve ser exercida com quem faz discursos tipo “miss mundo”, atirando a Seguro. E voltou a criticar Cotrim Figueiredo, ao dizer que “há candidatos que dizem que se chegarem a Belém são amigos do Governo.”
Foi ainda questionado — antes de provar os jesuítas de Santo Tirso — sobre não ter o apoio de Santana Lopes e chutou a questão para canto: “Não sei a quem o Santana Lopes declarou apoio. Andam mais bem informados do que eu. A campanha é feita só com quem quer estar ao meu lado.”
Depois de já ter visitado GNR e a PSP, disse que Portugal é um “país bastante seguro” e que o Presidente deve transmitir tranquilidade. Por isso, as suas palavras devem “ser baseadas em dados e não em perceções”.
Questionado sobre se se tinha referido a Seguro quando falou em discursos tipo miss mundo, criticou os candidatos que não têm “capacidade de enfrentar o risco”, que optam por “não dizer nada, só dizer generalidades. Uma estratégia de miss mundo. E não ando no concurso de miss mundo, sou candidato à Presidência da República”.
Minutos antes e uma ruas acima, Isaltino Morais disse que a mobilização para o almirante é mais difícil do que os “candidatos partidários, que têm máquinas de partidos”. O autarca de Oeiras disse ainda que “há muitos autarcas que estão ao lado de Gouveia e Melo e não se pronunciam. A disciplina partidária é uma chatice”.
“O inverno vem aí”. Gouveia e Melo, a partir do norte, pede o trono. E acusa Cotrim de ser lobo disfarçado de cordeiro
A frase ficou célebre por ser a mais repetida na série Guerra dos Tronos: “The winter is coming”. Henrique Gouveia e Melo, numa jantar de apoiantes em Penafiel, repetiu-a em português: “O inverno vem aí”. E o objetivo é, mais ou menos o mesmo, provar que é o melhor preparado para ocupar o mais alto cargo da Nação, o trono da República: a Presidência.
“A nossa economia está a crescer a mais de 2%, baseado no turismo. Qualquer acontecimento rápido na Europa pode tirar-nos 5 a 6% do PIB. Estamos com uma política da cigarra, quando tínhamos de começar a fazer a política da formiga. O inverno vem aí. E quando esse inverno vier, a pessoa que estiver a liderar o País não pode ser titubeante”.
Ao longo do discurso, Gouveia e Melo voltou a atacar João Cotrim Figueiredo, fazendo um desafio: “Se acham que o mercado resolve todos os problemas, que o digam e repitam 100 vezes. Mas não andem a disfarçar-se de cordeiros quando são lobos. Precisamos de economia com coesão social”.