A Cister, emblemática confeitaria no número 103 da Rua da Politécnica, em Lisboa, conhecida por ser um dos locais frequentados por Eça de Queirós (1845-1900), encerrou “definitivamente”. A notícia foi avançada nas redes sociais do espaço. “A Confeitaria Cister encerra definitivamente no dia 31 de dezembro”, consta numa publicação de 2 de janeiro, que recorda os “anos de trabalho, dedicação e muitas histórias partilhadas à volta da mesa”.

Fundada em 1838, a pastelaria do Príncipe Real era sobretudo associada ao facto de ter feito parte da rotina do autor de Os Maias, que ali parava para uma bica e um pastel de nata antes de descer ao Chiado. Várias imagens do romancista pintam o espaço, bem como um medalhão de embutidos de mármores onde está representado o seu retrato e a inscrição: “Eça de Queiroz / Pela Serafina, hoje Cister, passou grande parte dos seus dias.”

A confeitaria, que muitos hoje ainda chamavam “Serafina”, era também famosa pela marmelada, feita em formas de bronze, segundo a receita dos monges da Ordem de Cister, que geriram a casa desde o princípio do século XX até meados dos anos 1940.

O encerramento surpreendeu os clientes habituais, já que nos dias anteriores à publicação do encerramento nas redes sociais, publicavam-se as ementas do dia e fotografias de doçaria, como sempre. Também Filipa Veiga (PSD), presidente da Junta de Freguesia de Santo António, foi surpreendida. “É uma pena quando isto acontece. Estamos a falar de uma casa histórica. Tinha estado lá há pouco tempo e não suspeitava que tal pudesse acontecer. Representa mais um momento na desertificação e descaracterização da cidade, independentemente das razões do encerramento”, reagiu ao jornal Público.

O Observador contactou os responsáveis, o grupo Food Moments, que, numa resposta por e-mail esclarece que “o encerramento do estabelecimento comercial deveu-se, fundamentalmente, ao elevado valor das rendas praticadas”, justificando que “as pastelarias tradicionais têm como principal público-alvo clientes portugueses que, na sua maioria, não dispõem de capacidade económica para suportar aumentos constantes nos preços dos produtos”. “Contudo, para fazer face aos elevados custos de exploração, em particular ao valor da renda, seria inevitável proceder a sucessivos aumentos de preços, o que se revelaria incompatível com a realidade do nosso público. Assim, perante a impossibilidade de conciliar custos fixos tão elevados com a manutenção de preços acessíveis, não nos restou outra alternativa senão encerrar o estabelecimento”, remata a nota.

Além da Cister, nos últimos meses Lisboa viu fechar outros estabelecimentos semelhantes, como a Mujique, na Rua Luciano Cordeiro, a Confeitaria Vitória, no Largo Dona Estefânia, ou a Namur, na Avenida Defensores de Chaves.

Artigo atualizado dia 14 de janeiro, às 16h12, com resposta da empresa FoodMoments