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ONG confirma libertação de pelo menos 56 presos políticos na Venezuela

Este artigo tem mais de 6 meses

Foro Penal confirma 56 libertações, Governo fala em 116 sem revelar nomes. Oposição contabiliza 73 e exige fim do "sofrimento" de quase mil pessoas que continuam detidas.

epa12645650 Relatives of political prisoners participate in a vigil outside the Rodeo I prison in Zamora, Venezuela, 12 January 2026. The families of political prisoners in Venezuela are spending their fifth night, amidst a mixture of faith and impatience, waiting for further releases as part of the process to free a 'significant number' of people announced on 08 January by the authorities.  EPA/Miguel Gutierrez
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▲Governo venezuelano explica que a libertação de presos políticos se deve à revisão de processos, enquadrada numa política de "justiça, diálogo e preservação da paz"

Miguel Gutierrez/EPA

▲Governo venezuelano explica que a libertação de presos políticos se deve à revisão de processos, enquadrada numa política de "justiça, diálogo e preservação da paz"

Miguel Gutierrez/EPA

Organizações não governamentais (ONG) e a oposição da Venezuela confirmaram que pelo menos 56 presos políticos foram libertados desde quinta-feira, enquanto o Governo afirma que 116 saíram em liberdade, mas sem revelar os nomes.

A ONG venezuelana Foro Penal, que até domingo contabilizava pouco mais de 800 presos políticos, confirmou a libertação de 56 pessoas até às 21h15 de segunda-feira (01h15 desta terça-feira em Lisboa).

Segundo o balanço mais recente da Foro Penal, o número de presos políticos incluía 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.

O principal bloco de oposição da Venezuela contabilizou um total de 73 libertações até à mesma hora e exigiu que as autoridades acelerem o processo para que “o sofrimento dos presos políticos e das suas famílias cesse finalmente”.

“Mantemo-nos vigilantes, aguardando novas libertações, até que todos os presos políticos sejam libertados”, acrescentou a Plataforma Democrática Unitária (PDU), que divulgou uma lista com os nomes dos libertados.

A coligação salientou que “quase mil pessoas” continuam detidas por motivos políticos, numa situação que constitui uma “tática deliberada de protelação” e mostra um “escárnio inaceitável”.

Este cenário “é agravado por muitos dos libertados terem estado sujeitos a medidas cautelares pesadas”, acrescentou a PDU, numa mensagem publicada nas redes sociais.

Horas antes, o Governo da Venezuela tinha anunciado a libertação de 116 presos políticos, explicando que resultam de uma revisão integral dos processos, enquadrada numa política de “justiça, diálogo e preservação da paz”.

“Estas medidas foram benéficas para as pessoas privadas de liberdade por factos relacionados com a perturbação da ordem constitucional e a atenção à estabilidade da nação”, explicou o Ministério do Serviço Penitenciário, num comunicado.

Na quinta-feira, o presidente do parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de pessoas.

Desde então, familiares de presos políticos têm passado a noite junto a várias prisões, como El Rodeo I, perto de Caracas, aguardando a sua libertação.

Na segunda-feira, familiares de colombianos presos na Venezuela realizaram uma vigília à luz das velas junto à Ponte Internacional Simón Bolívar, que liga os dois países.

Sob o lema “Apoiem as famílias dos presos políticos”, dezenas de pessoas reuniram-se para exigir a libertação de 19 colombianos que, segundo eles, estão injustamente presos em cadeias venezuelanas há anos.

A ONG Justiça, Encontro e Perdão solicitou, através da rede social X, que o processo seja realizado “com total transparência, informação verificável e sem atrasos”.

O anúncio das libertações ocorreu após pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou ter influência direta sobre o processo político em Caracas depois da captura de Nicolás Maduro.

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