Organizações não governamentais (ONG) e a oposição da Venezuela confirmaram que pelo menos 56 presos políticos foram libertados desde quinta-feira, enquanto o Governo afirma que 116 saíram em liberdade, mas sem revelar os nomes.
A ONG venezuelana Foro Penal, que até domingo contabilizava pouco mais de 800 presos políticos, confirmou a libertação de 56 pessoas até às 21h15 de segunda-feira (01h15 desta terça-feira em Lisboa).
#12Ene 9:15 p.m. A esta hora del día de hoy en el @ForoPenal confirmamos la excarcelación de 56 presos políticos.
Pronto los nombres de casi todos, pues algunos de nuestros representados, y es su derecho, nos han pedido que no se hagan públicos sus nombres. Esto debe respetarse.
— Gonzalo Himiob S. (@HimiobSantome) January 13, 2026
Segundo o balanço mais recente da Foro Penal, o número de presos políticos incluía 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.
O principal bloco de oposição da Venezuela contabilizou um total de 73 libertações até à mesma hora e exigiu que as autoridades acelerem o processo para que “o sofrimento dos presos políticos e das suas famílias cesse finalmente”.
“Mantemo-nos vigilantes, aguardando novas libertações, até que todos os presos políticos sejam libertados”, acrescentou a Plataforma Democrática Unitária (PDU), que divulgou uma lista com os nomes dos libertados.
A coligação salientou que “quase mil pessoas” continuam detidas por motivos políticos, numa situação que constitui uma “tática deliberada de protelação” e mostra um “escárnio inaceitável”.
Este cenário “é agravado por muitos dos libertados terem estado sujeitos a medidas cautelares pesadas”, acrescentou a PDU, numa mensagem publicada nas redes sociais.
Horas antes, o Governo da Venezuela tinha anunciado a libertação de 116 presos políticos, explicando que resultam de uma revisão integral dos processos, enquadrada numa política de “justiça, diálogo e preservação da paz”.
“Estas medidas foram benéficas para as pessoas privadas de liberdade por factos relacionados com a perturbação da ordem constitucional e a atenção à estabilidade da nação”, explicou o Ministério do Serviço Penitenciário, num comunicado.
Na quinta-feira, o presidente do parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de pessoas.
Desde então, familiares de presos políticos têm passado a noite junto a várias prisões, como El Rodeo I, perto de Caracas, aguardando a sua libertação.
Na segunda-feira, familiares de colombianos presos na Venezuela realizaram uma vigília à luz das velas junto à Ponte Internacional Simón Bolívar, que liga os dois países.
Sob o lema “Apoiem as famílias dos presos políticos”, dezenas de pessoas reuniram-se para exigir a libertação de 19 colombianos que, segundo eles, estão injustamente presos em cadeias venezuelanas há anos.
A ONG Justiça, Encontro e Perdão solicitou, através da rede social X, que o processo seja realizado “com total transparência, informação verificável e sem atrasos”.
#ATENCIÓN 9:25 pm Desde el jueves, cuando se anunció el proceso de excarcelaciones de presos políticos, muchas familias han vivido días de espera, ansiedad y esperanza. Hasta hoy, lunes 12 de enero, hemos podido confirmar, mediante contacto directo con familiares y fuentes…
— Justicia, Encuentro y Perdón (@JEPvzla) January 13, 2026
O anúncio das libertações ocorreu após pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou ter influência direta sobre o processo político em Caracas depois da captura de Nicolás Maduro.