O Casa Pia, clube da I Liga, foi acusado pelo Ministério Público (MP) de esconder a origem de 1,02 milhões de euros enviados pelo FC Akhmat, clube que pertence a Ramzan Kadyrov, aliado de Vladimir Putin. A notícia foi avançada pelo Público na edição desta sexta-feira.

O FC Akhmat está sediado no Estado da Chechénia, presidido por Kadyrov desde 2007, e pertencente à Rússia. Assim, a origem do dinheiro seria alvo das sanções da União Europeia como resposta à invasão russa à Ucrânia.

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A partir do texto da acusação, o MP considera que o clube português terá aderido a um esquema para esconder a origem do valor do banco Montepio.

A história começa em julho de 2024, quando o FC Akhmat demonstrou interesse nos direitos desportivos do então jogador do Casa Pia, Felippe Cardoso. Segundo a acusação, terá sido durante as negociações que o Casa Pia terá sido avisado de que a transferência violaria as sanções europeias. O clube português terá sido informado de que o valor seria pago através de outra empresa, a Sila Marketing, registada nos Emirados Árabes Unidos. Esta companhia ganharia 7,5% de comissão pelas verbas transferidas em nome do clube russo.

O MP acusa tanto o clube de futebol como Tiago Lopes, gerente executivo responsável pela transferência. O gestor e o clube foram acusado de três crimes: violação de medidas restritivas, um crime de branqueamento e um crime de falsificação ou contrafação de documento.

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O clube português nega ilegalidade nesta transferência, referindo ao Público que atuou com “boa fé”, rejeitando “de forma categórica as acusações”. O Casa Pia nota que a transferência foi registada na plataforma da FIFA e anunciada publicamente. Em relação ao FC Akhmat, nota que “não é uma entidade sancionada pela UE” e diz desconhecer “a suposta ligação que o MP estabelece entre o clube e Kadyrov”, referindo que o nome do líder checheno “não consta de nenhuma documentação societária oficial”.

Felippe Cardoso jogou no Akhmat, em 17 jogos. Atualmente está emprestado ao Henan FC, da China.