Antonio Serradilla só completou 27 anos no passado dia 10 de janeiro, há menos de uma semana, mas a verdade é que parece já ter vivido várias vidas dentro de menos de três décadas. O jogador de andebol espanhol, que está no Campeonato da Europa que arrancou esta sexta-feira na Escandinávia, não era convocado para a seleção nacional há seis anos — mas regressou agora com uma autêntica mochila de experiências que o tornam único.
Natural de Sevilha, começou por jogar no Club Balonmano Montequinto, passou pelo Guadalajara e foi quando já estava no Ciudad de Logroño que foi confrontado com um desafio inesperado: foi diagnosticado com melanoma ocular, acabando por ter de retirar por completo o olho direito para se ver livre do tumor. Na altura, nem sequer sabia se poderia voltar a jogar andebol. Agora, conquistou a Liga dos Campeões no último verão ao serviço do Magdeburgo e vai estrear-se com Espanha numa grande competição de seleções.
???????? La historia de superación de Antonio Serradilla, jugador de balonmano
Hace 5 años recibió el peor diagnóstico de su vida: melanoma de coroides y una decisión por tomar, extirparse el ojo derecho o perder la visión para siempre
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“Com a perspetiva dos anos que já passaram, a verdade é que me assombra a maneira como tomei a decisão de tirar o olho. Foi uma decisão bastante dura e acabei por tomá-la com muita naturalidade para o que era, que era perder a visão desse olho. Olhando para tudo o que consegui, orgulho-me muito de mim mesmo, de ter sido uma pessoa lutadora, de nunca me ter rendido por aquilo que realmente queria, que era continuar a jogar andebol”, explicou o espanhol em entrevista ao jornal El Español, garantindo que “nem sequer imaginava” chegar ao ponto de conquistar uma Liga dos Campeões.
Na mesma entrevista, Antonio Serradilla explica que continua a adaptar-se a jogar apenas com a visão de um olho e que é “uma aprendizagem contínua”. “No início custava-me muito, estava sempre duvidoso de tudo, mas não demorou muito, talvez uns meses, a automatizar tudo”, acrescenta o lateral, que depois do problema de saúde rumou à Noruega para representar o Elverum antes de se mudar para os alemães do Madgeburgo, sendo que atualmente está no Estugarda, também da Alemanha.
“Há tantas coisas. Se tapares um olho consegues perceber todos os inconvenientes que existem ao jogar andebol. Reduz-te muito a visão, o campo de visão é muito mais pequeno. Levas mais pancada, porque o teu campo de visão é muito mais reduzido e chocas mais com os adversários, mesmo sem querer. Tens de antecipar muitas coisas. É todo um mundo, sinceramente. Mas o corpo adapta-se, convivo com isto e não há nenhum problema. Aprendo situações novas todos os dias ou truques que me podem ajudar”, explica, detalhando também as dificuldades que enfrenta no dia a dia e fora de campo.
“Quando ando na rua tropeço em montes de pessoas. Choco mesmo muitas vezes. Ou mesmo a conduzir, quando tenho de olhar pelo retrovisor do lado direito, tenho de virar a cabeça toda. Outra pessoa mexe só os olhos e vê. São muitas coisas ao longo de todos os dias, por isso, acho que dá para imaginar como é no andebol, onde temos segundos para decidir situações. É muito mais complicado”, confessa.
De perder un ojo al Europeo, la historia de superación de Antonio Serradilla, uno de los 18 'hispanos' convocados por Jordi Ribera para conquistar el torneo
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Ao El Español, Antonio Serradilla lembrou ainda outro momento recente que o marcou para vida: em dezembro de 2024, há mais de um ano, estava no mercado de Natal de Magdeburgo quando um carro entrou pela multidão, provocando cinco mortos e mais de 200 feridos num atentado perpetrado por um médico natural da Arábia Saudita. O espanhol escapou ileso, mas continua a ultrapassar a recordação.
“Foi a situação mais aterradora por que passei na vida. Já tive muitas batalhas, mas aquela foi totalmente diferente do resto. Aqui foi medo, de verdade. Uma situação em que se estivesse dois metros mais à esquerda poderia ter sido atropelado e não estava aqui para contar a história. Cada vez que penso nisso fico arrepiado, foi um momento muito trágico. Tenho um monte de imagens gravadas na cabeça e situações que vão ficar para sempre”, lembra, sublinhando que continua a ter muito receio de estar em grandes aglomerados de pessoas.