Quando se esperava uma revolução, Mikel Arteta não facilitou e trocou apenas de alas. Quando se esperava mais uma vitória, a equipa não foi além do nulo na deslocação a Nottingham para defrontar o Forest. Quando se esperava a confirmação de um Viktor Gyökeres em crescendo, voltou a versão de mais do mesmo: pouco jogo, escassos toques na bola no último terço, nenhum remate, nem sombra de golos ou assistências. Aquilo que parecia ser um assunto do passado depois do golo e da assistência feitas no triunfo do Arsenal frente ao Chelsea em Stamford Bridge para a Taça da Liga voltou a marcar a atualidade antes do jogo grande do dia 1 da sétima jornada da Champions, com a deslocação dos londrinos a Milão para defrontarem o Inter.

A máscara demorou mas voltou: Gyökeres joga, faz jogar, marca e assiste na vitória do Arsenal frente ao Chelsea

“O Viktor é um tipo fantástico. Infelizmente, quando ele chegou, quando assinou, não estava cá, estava a fazer a minha reabilitação no Brasil. Mas desde que voltei, temos tido um bom relacionamento, conversamos sobre futebol. Temos a mesma idade. Jogo aqui, na Premier League, há mais tempo do que ele e, às vezes, dou a minha opinião, outras vezes ele dá a dele. É um excelente avançado. Marcou muitos golos no Sporting e tenho a certeza de que vai fazer o mesmo aqui connosco. Titularidade? É uma pergunta difícil. O Viktor é um jogador que pode marcar a qualquer momento e o Kai [Havertz] também é um jogador fantástico”, referiu agora Gabriel Jesus, mais um jogador dos gunners a sair em defesa do avançado sueco.

“Dúvidas? Não tinha visto isso. É uma pessoa muito exigente consigo própria, isso é evidente. Sabe o nível que precisamos e quer mesmo corresponder a tudo aquilo que esperamos dele. Tem-se esforçado bastante, tem sido muito consistente e achei que, contra o Chelsea, fez um grande jogo e marcou o golo que nos ajudou a ganhar. Terá de habituar-se ao escrutínio, não apenas nos próximos anos cá como no resto da carreira. Se olharmos para o que ele fez nos últimos anos, estabeleceu os padrões que toda a gente espera que continue a manter”, destacara antes Mikel Arteta, na antecâmara do nulo diante do Nottingham Forest onde o sueco não fez golos, remates, passes decisivos ou dribles com sucesso, entre dois duelos pelo ar perdidos e quatro perdas de bola ao longo de 57 minutos, antes de ser substituído pelo brasileiro Gabriel Jesus.

As críticas ao escandinavo voltavam a subir de tom, olhando apenas para o rendimento a nível de golos ou de oportunidades criadas e não tanto para outros parâmetros que Arteta também leva em conta numa equipa que tem um chip diametralmente oposto em termos de dinâmicas ofensivas do que tinha o Sporting. “Talvez precise de alguns jogos fora da equipa para recuperar a confiança antes de voltar. Houve um momento contra o Forest em que deveria ter ficado cara a cara com o guarda-redes mas, como defesa, pensas que consegues recuperar, porque está sem confiança. Mesmo na cara do guarda-redes, não acreditas que ele vá marcar no momento”, comentou o antigo internacional Micah Richards, entre várias opiniões que pediam uma “oportunidade” para Gabriel Jesus, Kai Havertz ou mesmo Mikel Merino jogando mais à frente. Essa hipótese surgiu e, numa partidas dirigida pelo português João Pinheiro, o brasileiro fez mesmo a festa… com uma “resposta” quase imediata do avançado sueco, que acabou a marcar o melhor golo no Giuseppe Meazza e a mostrar que é mais do que um ato de fé de Arteta apesar das dificuldades sentidas nos primeiros meses.

Logo na primeira oportunidade do jogo, o número 9 mostrou todo o sentido de oportunidade e inaugurou o marcador: grande jogada coletiva do Arsenal a fazer passar rápido a bola pelos três corredores, assistência em forma de remate de Timber e desvio oportuno do avançado a inaugurar o marcador (10′). O Inter até teve uma resposta quase pronta, com Sucic a disparar uma “bomba” de fora da área sem hipóteses para David Raya (18′), mas esta seria mesmo a noite de Gabriel Jesus, com o bis a aparecer na sequência de um canto na direita do ataque ao segundo poste com assistência de Trossard e desvio de cabeça na pequena área a devolver a vantagem aos ingleses ainda na primeira parte (31′). A segunda parte teve menos motivos de interesse apesar de algumas oportunidades para ambos os lados até à entrada de Viktor Gyökeres, que em menos de dez minutos saiu do banco para marcar o 3-1 com um remate ao ângulo de fora da área (84′).