O carvão é a mais poluente das formas de produzir energia eléctrica a partir da queima de combustíveis fósseis, mas é igualmente a mais barata para países com centrais pré-existentes e que, simultaneamente, possuam grandes reservas no subsolo. É o caso da China e da Índia, que ainda em 2024 queimaram, respectivamente, 4800 milhões e 1000 milhões de toneladas de carvão, para suprir 59% e 74% das suas necessidades de electricidade.

A novidade que os dados relativos a 2025 nos trouxeram consiste numa redução do recurso ao carvão para gerar energia eléctrica nestes dois países, com 1,41 mil milhões de chineses e 1,47 mil milhões de indianos. Esta queda na utilização deste minério aconteceu pela primeira vez em 52 anos, o que significa que se registou uma redução, ainda que pequena, nas emissões para atmosfera de poluentes como o monóxido e dióxido de carbono, dióxido de enxofre, óxidos de azoto, partículas de fumo e metais pesados, como chumbo, mercúrio, arsénico, cádmio e crómio.

No maior poluidor mundial, os Estados Unidos da América, o recurso ao carvão aumentou e nada menos que 13%. Ainda assim, é bom ter presente que se o carvão representava quase 50% na geração eléctrica há 25 anos, em 2025 caiu para apenas 17%. Porém, esta evolução não esconde o facto de, em 2024, este mesmo combustível fóssil ter produzido apenas 15% da electricidade dos americanos.

De salientar que os países industrializados necessitam de forma crescente de mais energia eléctrica e se, para países como Portugal, sem minas de carvão e sem grandes centrais termo-eléctricas alimentadas com este minério, é mais económico a geração de energia com recurso ao sol e ao vento, até no caso da China e da Índia, com centrais e reservas, as fontes renováveis têm-se revelado cada vez mais eficientes, o que as torna numa alternativa interessante e, em alguns casos, mais baratas. Quem teima em não ver esta realidade são os EUA que, sob a batuta de Trump, viraram as costas aos veículos eléctricos e à produção de electricidade por fontes renováveis. Ainda assim, se a electricidade gerada por carvão aumentou 13%, a verdade é que pelas centrais solares deu um salto positivo de 34%.