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"Escudo de Alumim". Quem é Ran Gvili, o refém que falta ser devolvido pelo Hamas

Este artigo tem mais de 6 meses

O polícia estava de baixa médica, com um ombro partido, mas decidiu lutar a 7 de outubro. Foi sequestrado à entrada do kibbutz de Alumim, comunidade onde é lembrado como herói.

Ran Gvili tinha 24 anos quando foi levado pelo Hamas, e era membro da unidade de patrulhamento especial da polícia israelita
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▲Ran Gvili tinha 24 anos quando foi levado pelo Hamas, e era membro da unidade de patrulhamento especial da polícia israelita

Polícia de Israel

▲Ran Gvili tinha 24 anos quando foi levado pelo Hamas, e era membro da unidade de patrulhamento especial da polícia israelita

Polícia de Israel

“Escudo de Alumim”. É assim que Ran Gvili é descrito num cartaz colocado a poucos metros da cerca do kibbutz de onde foi sequestrado pelo Hamas a 7 de outubro de 2023. Nesta mesma área foram encontrados 14 corpos de membros do grupo palestiniano, motivo pelo qual a comunidade considera o jovem um dos responsáveis por evitar a entrada dos homens armados. “Lutou uma batalha heroica, salvando as vidas dos membros do kibbutz”, conclui o texto, onde os residentes pretendem erguer um memorial dedicado a Gvili, numa encruzilhada a apenas quatro quilómetros da fronteira com Gaza.

Ran Gvili tinha 24 anos quando foi sequestrado e é o único refém israelita que ainda falta ser devolvido. Tinha também passaporte português, por parte dos bisavós maternos, Eduardo Nada e Esther Nada, ambos inscritos como “espanhóis protegidos” no Consulado de Espanha no Egipto na década de 1930, como recorda o presidente da comunidade judaica do Porto, Gabriel Senderowicz, num artigo de opinião no Observador em dezembro de 2025. Era sargento a servir na unidade de patrulha especial da polícia israelita, a Yasam, mas estava de baixa médica por causa de uma lesão no ombro, devido a uma queda de mota. Tinha uma cirurgia agendada para dali a dois dias — e faria 25 anos no dia seguinte. Mas na manhã de 7 de outubro de 2023 decidiu deixar a sua casa, na cidade de Mitar, para lutar. “Saiu de casa por vontade própria, vestido com o uniforme e o colete à prova de balas”, disse o pai do jovem, Itzik Gvili, ao Israel Hayom.

▲ Gvili estava de baixa médica a 7 de outubro de 2023 -- havia partido um ombro numa queda de mota

Reprodução X

Ran Gvili juntou-se a um grupo de seis outros oficiais da Yasam, que seguiu para o kibbutz de Alumim, para onde fugiram alguns sobreviventes do ataque ao festival Nova. Richard Schechtman, de 29 anos, fazia parte do grupo de polícias enviado para defender a comunidade. “Lembro-me que saímos do carro, conferimos o perímetro e Rani era o líder da equipa — porque é assim que ele era. Rani e eu estávamos parados na estrada, e então eu vi terroristas. Hesitei, porque era a primeira vez na minha vida que eu via terroristas de frente, e tive um momento do tipo, ‘o que estou a ver?’. Então, Rani puxou o pino e abriu fogo, e todo o grupo seguiu-o”, recorda Schechtman ao Ynet News.

Foi quando o grupo se separou e Gvili seguiu com um oficial das IDF para perseguir o carro onde iam os membros do Hamas. “Depois falei com ele ao telefone. Ligou-me e deu-me a sua localização”, conta Schechtman. “Disse: ‘Richard, fui baleado na mão e na perna. Preciso que venha me buscar agora’. Disse-o de forma calma, o que mudou tudo para mim.” Ran Gvili estava ferido e sozinho, e mesmo assim terá lutado contra mais de uma dezena de membros do Hamas. Por esse motivo, Schechtman é mais um dos que vê em Gvili um herói. “Rani tinha o ombro partido. Ele não podia levantar o braço, mas lutou como um leão. Encontraram 14 corpos de terroristas no local onde ele foi sequestrado. É como um filme de ficção científica. Nenhuma pessoa normal conseguiria fazer isto”.

Foi pelas 10h50 daquela manhã que Ran Gvili enviou a última mensagem aos colegas, a informar que tinha sido atingido. Duas semanas depois, a família recebeu a confirmação oficial do sequestro, juntamente com uma fotografia em que o polícia israelita aparece deitado sobre uma mota em Gaza, ferido. As autoridades israelitas, entretanto, dizem que Gvili não sobreviveu por muito tempo depois de ter sido levado. Já a família apega-se ainda ao último resquício de esperança. “Queremos sentir a sua presença, sentir esta dúvida ínfima, mesmo que seja só um pensamento positivo“, disse a mãe do jovem, Talik Gvili, em declarações em dezembro à Reuters.

Não foi a primeira vez que Ran Gvili decidiu contrariar as recomendações médicas para servir o seu país. Aos 18 anos, partiu um fémur num exercício de treinamento. Depois de passar por uma cirurgia o médico informou que a sua recuperação demoraria mais de um ano. “Itzik e eu respirámos de alívio”, admitiu a mãe do jovem, ao Israel Hayom. Entretanto, recorda o que o filho fez a seguir. “Disse ao médico: ‘Oiça com atenção. Vou regressar para a minha posição em quatro meses, e o senhor vai assinar a minha alta”. Talik Gvili diz que Ran fez exatamente quatro meses de fisioterapia e regressou ao serviço, com a aprovação do médico. A mãe recorda ainda que meses antes de ser sequestrado, Ran Gvili esteve muito interessado numa série sobre prisioneiros israelitas na Síria. “Conhecia-os pelo nome”, relata Talik, que recorda que o irmão perguntou-o sobre o interesse súbito num tema tão triste. “O que achas? Estes são os heróis de Israel“, terá respondido, numa frase que a mãe considera “profética”.

O corpo de Ran Gvili é o único que ainda permanece em Gaza. Mesmo sem a sua devolução, o acordo de cessar-fogo já seguiu para a segunda fase, o que tem sido alvo de críticas por parte da família de Gvili. Na última terça-feira, Donald Trump afirmou que “os EUA pensam que sabem” onde está o corpo do último refém. “Parecia que não chegaríamos a lado nenhum e agora tempo quase certeza”, disse o Presidente norte-americano, citado pelo Times of Israel. Por outro lado, o porta-voz do Hamas disse à Al-Jazeera que já disse tudo o que sabe sobre a localização do corpo de Gvili e está a trabalhar para o encontrar.

Em resposta, os pais de Gvili pediram que Israel e os EUA pressionem o Hamas para que devolvam os restos mortais do filho. “A declaração do Presidente Trump confirma o que temos dito ao longo dos últimos três meses: o Hamas sabe exatamente onde está o nosso filho e tem deliberadamente violado o plano do Presidente Trump e o acordo para devolver todos os reféns”, escreveram Talik e Itzik. “A responsabilidade está agora com o Governo de Israel e a administração dos EUA em exercer todo o peso de sua autoridade para garantir que o Hamas cumpra as suas obrigações nos termos do acordo, ou garantir que sanções severas sejam impostas ao Hamas”. O casal apela ainda a Donald Trump, com quem estiveram no mês passado, numa reunião na Flórida junto com Benjamin Netanyahu. “Não temos dúvidas de que é um homem de palavra e acreditamos que vamos ver Rani em casa em breve”.

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