O enviado especial do Presidente norte-americano, Steve Witkoff, anunciou esta quarta-feira que o plano dos Estados Unidos para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza entrou na segunda fase, centrada no desarmamento do movimento islamita Hamas.
“Estamos a anunciar o lançamento da segunda fase do plano de 20 pontos do Presidente para pôr fim ao conflito em Gaza”, escreveu Steve Witkoff nas redes sociais.
O enviado especial norte-americano explicou que esta nova etapa marca a transição “de um cessar-fogo para a desmilitarização, governação tecnocrática e reconstrução” do território palestiniano, num anúncio feito pouco depois de ser divulgada a criação de um comité tecnocrático palestiniano encarregado de administrar a Faixa de Gaza: o “Comité Nacional para a Administração de Gaza”.
Para além disto, todo o pessoal não-autorizado começará também a ser “desarmado”, com o enviado a avisar que Washington espera que “o Hamas cumpra integralmente as suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém falecido”. “O não-cumprimento terá consequências graves”, sublinhou.
Today, on behalf of President Trump, we are announcing the launch of Phase Two of the President’s 20-Point Plan to End the Gaza Conflict, moving from ceasefire to demilitarization, technocratic governance, and reconstruction.
Phase Two establishes a transitional technocratic…
— Special Envoy Steve Witkoff (@SEPeaceMissions) January 14, 2026
O anúncio da Witkoff foi feito na sequência da declaração do Hamas na segunda-feira, onde sublinharam que o grupo islamita palestiniano está “totalmente preparado” para entregar o poder ao comité tecnocrático. A decisão, que o porta-voz Hazem Qasim definiu como “clara e definitiva” faz parte da “implementação do acordo de cessar-fogo” e “dá prioridade ao supremo interesse nacional“.
Hamas declara que está “totalmente preparado” para entregar poder em Gaza
Líder do comité é antigo ministro que nasceu em Gaza
Entretanto, esta quarta-feira, o nome do líder do comité de transição foi conhecido. O antigo vice-ministro palestiniano Ali Shaath vai ser o líder desde organismo encarregado de gerir a Faixa de Gaza, anunciaram hoje Egito, Qatar e Turquia, países mediadores do conflito.
Numa declaração conjunta, os mediadores descreveram a criação deste comité como “um passo importante para consolidar a estabilidade e melhorar as condições humanitárias” no território palestiniano, onde vigora desde 10 de outubro de 2025 um frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita Hamas.
Ali Shaath, um engenheiro que foi vice-ministro do Planeamento da Autoridade Palestiniana, vai dirigir um comité tecnocrático que é parte de um plano mais vasto para pôr fim aos 18 anos de domínio do Hamas na Faixa de Gaza.
Natural da Faixa de Gaza, é especialista em desenvolvimento económico e reconstrução, segundo a sua biografia no ‘site’ do Instituto de Investigação de Política Económica da Palestina.
Os membros da estrutura tecnocrática para gerir assuntos correntes do enclave palestiniano ficarão sob supervisão de um “Conselho de Paz” liderado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujos membros ainda não foram anunciados.
Na sua declaração, os mediadores expressaram esperança de que a criação do comité palestiniano abra caminho para a implementação da segunda fase do plano de 20 pontos da Casa Branca, que prevê igualmente o desarmamento do Hamas e o destacamento de uma força internacional para o território.
“Os mediadores salientam a necessidade de todas as partes se comprometerem com a plena implementação do acordo para alcançar uma paz sustentável e criar as condições adequadas para a reconstrução da Faixa de Gaza, de forma a que atenda às aspirações do povo irmão palestiniano de segurança, estabilidade e uma vida digna”, acrescentou a declaração.