O presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) considerou esta terça-feira arrojado o Plano Estratégico do Porto de Leixões, em Matosinhos, porque tira partido da infraestrutura sem entrar muito no espaço da cidade.
“É, de facto, um plano arrojado porque extrai o máximo valor do território físico e é verdade que depois desta ampliação que vamos fazer, quer do lado norte, quer do lado sul, não temos mais por onde crescer dentro dos limites que são os molhes que abrigam o Porto Leixões”, afirmou João Neves durante a apresentação daquele plano para os próximos 10 anos.
O presidente da APDL explicou que aquele plano projeta o Porto de Leixões para as próximas gerações e é uma estratégia clara para reforçar a competitividade da infraestrutura, a sua sustentabilidade e a sua integração nas grandes cadeias logísticas.
Contudo, na segunda-feira e antecipando-se à apresentação do plano, a presidente da Câmara de Matosinhos, a socialista Luísa Salgueiro, revelou que vai dar parecer desfavorável ao novo Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, por fazer a cidade recuar para que o porto cresça.
“A câmara propõe que seja emitido parecer desfavorável a esta nova proposta do Terminal de Contentores Norte que implica o fim da marina, a alteração da paisagem em Leça da Palmeira e impactos na mobilidade”, afirmou.
Mas esta terça-feira, no seu discurso, João Neves defendeu que, ao contrário do que se pensa, não vão construir um terminal de contentores em cima da Marina de Leixões por não quererem saber da náutica de recreio, mas porque aquela “não está bem situada”.
“A Marina de Leixões tem beneficiado de uma barra fantástica que é a Barra de Leixões que permite um acesso franco para qualquer marinheiro menos experiente poder entrar, mas, de facto, não está bem situada”, assinalou.
Já quanto às escolas de vela, o responsável especificou que as crianças que as frequentam cruzam-se com os navios, os rebocadores, as lanchas de pilotos e as traineiras da pesca e “não é assim que as coisas devem ser feitas”.
“Portanto, nós aproveitamos este plano para corrigir isto, não é porque foi sempre assim que tem que ficar assim, se nós estamos cá e podemos melhorar nós temos a obrigação de melhorar”, ressalvou.
João Neves sublinhou que o objetivo é “pôr a carne toda no assador” e obter o espaço máximo que o Porto permite dar.
“São mais 20 hectares do lado norte e são mais 10 hectares do lado sul, portanto, nós vamos, de facto, tirar partido do porto sem entrar muito no espaço da cidade e sair ainda para o mar”, assinalou.
O presidente da APDL revelou ainda que outro dos propósitos é ter um porto verde, motivo pelo qual estão, por exemplo, a preparar a ligação dos navios à rede elétrica e a construir uma nova subestação e rede de média tensão.
O Governo prevê um investimento de 931 milhões de euros no porto de Leixões nos próximos 10 anos, com construção de um novo terminal de contentores no molhe norte, segundo a estratégia nacional Portos 5+.