As exportações de bens caíram pelo terceiro trimestre consecutivo, na reta final de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo INE. Os dados dão conta de uma descida de 2,9% no quarto trimestre, na comparação homóloga, porém noutro relatório divulgado em simultâneo, feito a partir de inquéritos junto das empresas, as exportadoras antecipam um aumento das exportações ao longo do ano de 2026 que pode superar os 5%.
A descida de 2,9% nas exportações de bens no quarto trimestre segue-se à redução de 0,1% no terceiro trimestre e de 1,3% no segundo trimestre. Em 2025, só o primeiro trimestre teve uma evolução homóloga positiva das exportações, o que poderá ter-se devido a alguma antecipação de compras tendo em conta as tarifas aduaneiras agravadas anunciadas por Donald Trump na última primavera. As exportações aumentaram 7,8% em termos homólogos, no primeiro trimestre.
“A estimativa rápida do Comércio Internacional de bens do 4º trimestre de 2025 aponta para diminuições nas exportações e importações de, respetivamente, 2,9% e 5,1%, em termos nominais e em relação ao período homólogo”, refere o INE acrescentando que “quando excluídas as transações TTE, ou seja, as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (sem transferência de propriedade), estes decréscimos acentuam-se ligeiramente nas exportações (-3,6%) e atenuam-se nas importações (-4,1%)”.
Na comparação em cadeia, ou seja, em relação ao trimestre anterior, a estimativa rápida também aponta para “uma evolução negativa em ambos os fluxos”. No 3º trimestre, as exportações registaram um decréscimo de 0,3% (o mesmo valor sem TTE) e as importações aumentaram 5,4% (+3,1% quando excluídas as TTE).
FONTE: Instituto Nacional de Estatística
O sinal negativo dado pelos indicadores sobre o período transato contrasta com o otimismo perspetivado pelas empresas para 2026. “As empresas exportadoras nacionais perspetivam um aumento nominal de 5,1% nas suas exportações de bens em 2026, acentuando a trajetória de crescimento observada nos dados do Comércio Internacional de Bens no período acumulado de janeiro a novembro de 2025, em que as exportações cresceram 0,6%”.
O INE acrescenta que “o maior acréscimo é esperado nas exportações de Máquinas, outros bens de capital (+12,2%) e de Produtos alimentares e bebidas (+8,1%)”.
Em termos gerais, as empresas manifestaram expectativas positivas, embora a análise por setor de atividade revele realidades distintas. Enquanto alguns setores perspetivam crescimento, outros antecipam constrangimentos que poderão limitar a evolução da sua atividade exportadora”, aponta o INE.
Este é um relatório preparado a partir do Inquérito sobre Perspetivas de Exportação de Bens (IPEB) para 2026, realizado em novembro de 2025, e, diz o INE, “devem ser interpretados como indicativos de tendências, uma vez que se baseiam nas perspetivas de crescimento reportadas pelas empresas no período de resposta”. “Estas perspetivas poderão refletir a incerteza associada à evolução do contexto económico internacional”, salienta o organismo estatístico.
A conclusão do estudo é que “as expectativas das empresas para as suas exportações de bens em 2026 refletem um contexto complexo, marcado por fatores externos – nomeadamente ajustamentos ainda associados à incerteza em torno das tarifas dos EUA, que marcou o ano de 2025, entre outros – e por fatores internos, como decisões de investimento em capacidade produtiva, alterações estratégicas ou mudanças nos modelos de negócio”.
“Destas dinâmicas, resultam níveis diferenciados de otimismo entre setores, em parte determinados pela capacidade de adaptação das empresas às condições do mercado internacional”, remata o INE.