Numa declaração feita a partir da sua sede no Largo do Rato, o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, apontou o que identificou como várias falhas de preparação e coordenação entre o Governo e a Proteção Civil no que toca ao impacto da depressão Kristin.
“A sensação com que se fica é que o Governo mostrou novamente insensibilidade e impreparação para antever e gerir atempadamente esta crise”, apontou, lembrando que “tinha acontecido no apagão, aconteceu nos incêndios e voltou a acontecer agora”.
Lembrando que “o IPMA informou a tempo e horas” quais as características da tempestade, quando chegaria a Portugal continental e onde seria mais severa, o socialista interroga porque é que “a Autoridade Nacional de Proteção Civil só decretou e comunicou o nível máximo do estado de prontidão especial nível 4 às 16h de dia 27, ou seja, a menos de 12 horas da passagem” da depressão pelo território.
“Foi tarde e em cima da hora para se poder preparar a resposta reforçada ao nível do dispositivo”, aponta, denunciando que também que “não houve reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil nem antes, nem durante, nem depois a passagem da depressão”. “Ou seja, uma vez mais, como aconteceu noutros momentos críticos na vida do país, não aconteceu a coordenação política interministerial prevista no sistema de Proteção Civil”, apontou Carneiro.
O secretário-geral do PS criticou ainda o caráter “tardio” da declaração da situação de calamidade — tendo ocorrido esta quinta-feira, 29 de janeiro — já que “devia ter sido decretada a meio de dia 28, assim que se soube da extensão dos danos”. Para Carneiro, também “não se percebe porque é que não foi acionado o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil a 28 de janeiro e implementados os pressupostos da organização e da gestão previstas nesse plano”.
“Do ponto de vista da comunicação de crise, a mesma tem faltado”, afirmou José Luís Carneiro, sublinhando que se “não é esta a hora para pedir responsabilidades, também não é a hora para as esconder ou escamotear”.
“É hora para exigir eficácia na resposta do governo às populações. O Estado não pode falhar aos cidadãos, a sua solidariedade não pode ser uma palavra vã”, alertou, esperando do mesmo “uma sensibilidade apurada e uma resposta eficaz, humana, atempada, próxima e com os recursos necessários”.
José Luís Carneiro frisou ainda que tanto Luís Montenegro e restante Governo como as autarquias afetadas “sabem que podem contar com o PS” nas suas mais diversas estruturas”. No entanto, o secretário-geral socialista singularizou a sua “experiência na gestão de crises” nas pastas que ocupou, tanto como ministro da Administração Interna como quando foi Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
“Quero dizer que estou totalmente disponível para, com a minha experiência, apoiar o governo nas necessidades que sejam detetadas”, frisou.
Interrogado sobre declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, feitas na quinta-feira, de que ninguém pediu a declaração da situação de calamidade na quarta-feira, José Luís Carneiro não comentou essas palavras, mas antes destacou o papel “muito importante” do chefe de Estado.
“Eu quero sublinhar que o senhor Presidente da República foi muito importante para que tivesse existido uma resposta do Governo que, embora tardia, fosse adequada aos alertas e às vozes dos autarcas que se fizeram ouvir durante a manhã do dia 28”, disse o secretário-geral do PS.
Quando os jornalistas lhe pediram para explicar de que modo é que o chefe de Estado foi importante, José Luís Carneiro respondeu que, segundo os autarcas lhe transmitiram, “a sua sensibilidade foi muito importante na gestão deste processo político”, e nada mais adiantou.
Na sua reunião de hoje com autarcas do PS, por videoconferência, participaram, de acordo com o partido, 12 presidentes de câmaras, incluindo os de Leiria, Coimbra, Marinha Grande, e 20 vereadores.
[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]