Com mais uma tempestade a assolar o país e as cheias a gerarem preocupação, Luís Montenegro decidiu arregaçar as mangas e ir ao terreno, desta vez sem avisar. A visita não constava da agenda oficial do primeiro-ministro, e assim os jornalistas que estavam num pavilhão onde estão a ser acolhidas pessoas afetadas pela tempestade, em Santarém, foram surpreendidos quando Montenegro entrou.

“Quis vir sem avisar, embora correndo o risco de me cruzar convosco, para saber como no terreno essa operação está a decorrer e ter a garantia de que não deixamos de tomar medidas preventivas”, explicou aos jornalistas, enquanto ia perguntando a quem ali pernoitou como passou a noite, como está a “gerir as emoções” e se já tinha passado por uma situação destas (um idoso respondeu comparando o momento às fortes cheias de 1979 e 1984).

Acompanhado por elementos da autarquia, Montenegro disse aos jornalistas que as forças da Proteção Civil, assim como forças de segurança e Forças Armadas, estão preparadas de forma “permanente” para evacuar o que for necessário. “A prioridade acima de todas é salvaguardar a vida das pessoas”, frisou, reconhecendo que a situação de quem ali está recolhido é “incomodativa” — lembrou que há equipas de apoio psicológico já mobilizadas — mas que se impõe por uma questão de segurança.

Preocupado com a transmissão de uma ideia de “sensibilidade grande” para com todos os afetados, o primeiro-ministro quis garantir que o Governo está a trabalhar em diversas frentes: “Estamos a programar o que pode acontecer, a gerir o que está a acontecer e a recuperar o que aconteceu”, disse, lembrando a atual “gestão de inundações e cheias” prometendo que não se esquece de que há muitos portugueses com “dificuldades de habitações” por causa da tempestade Kristin. E, fazendo questão de lembrar a grande “rapidez” com que as medidas de apoio foram anunciadas para ajudar as pessoas a “dar a volta por cima”, admitiu que existirá uma “avaliação permanente” para perceber se estão a ser suficientes.

Já fora do pavilhão, protegido por um guarda-chuva enquanto a situação piorava em Santarém, Montenegro fez um ponto de situação dos apoios: já há 450 pessoas que recorreram à plataforma para o apoio de recuperação de casas, 1200 agricultores e cerca de 1200 empresas, o que ultrapassa os 350 a 400 milhões de euros, frisou, lembrando também que há 275 espaços do cidadão abertos para ajudar as pessoas afetadas a preencher os formulários.

O Governo, prometeu, usará “todos os instrumentos financeiros” ao seu dispor, numa altura em que se estima já um nível de prejuízos que ultrapassará os quatro mil milhões de euros.

Quanto às eleições, voltou a afastar um adiamento no território todo, falando em “disponibilidade” para garantir que haja segurança nas secções de voto e no acesso a elas para as eleições. Cada autarca terá de “ir avaliando a situação” e verificar se “numa ou noutra circunstância as condições não estão garantidas”.

Prometendo garantir “tudo o que for possível para garantir a normalidade — a democracia funciona, mesmo quando está com desafios”, Montenegro frisou que se houver situações limite, a lei determina que nesses sítios a eleição aconteça oito dias depois — esperando que sejam “poucas” situações deste género.

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