A Renault tem no Clio e no Megane dois dos seus modelos mais populares entre os compradores germânicos, mas a questão que se coloca agora não é apenas a proibição de comercializar estes veículos na Alemanha. Em cima da mesa está igualmente a possibilidade de a marca francesa ter de retomar e destruir os modelos já vendidos, o que pode representar um prejuízo ainda maior.
A questão surgiu quando a Broadcom, uma empresa norte-americana especializada em semicondutores e infraestruturas de software, recorreu à justiça acusando a Renault de estar a vender veículos que infringem a lei. Em causa estão as suas patentes de Ethernet, bem como o não pagamento do que o tribunal considerou ser “uma quantia razoável”, de acordo com a imprensa alemã.
A sustentar a decisão judicial está, especificamente, a patente EP1903733 da Broadcom, que é essencial para o bom funcionamento da IEEE 802.3bw, um dos standards da Ethernet. O Clio utiliza a Ethernet para fazer funcionar, entre outros, o seu sistema de navegação, que por sua vez recorre ao sistema Android Automotive da Google, bem como aos mapas deste gigante tecnológico.
A decisão do tribunal alemão impõe o fim da comercialização dos dois modelos, bem como a retoma e a destruição das unidades já vendidas, o que terá um efeito devastador nas finanças da marca francesa. Contudo, apesar de já ter sido anunciada, a deliberação ainda não teve efeito, pois só terá de ser respeitada após a Broadcom depositar nos cofres do tribunal uns largos milhões como garantia. E esse depósito ainda não chegou.
A Renault já fez saber que pretende apelar da decisão do juiz de Munique, afirmando que rejeita categoricamente a acusação. Resta saber se o construtor e o fabricante de chips regressam à mesa das negociações — no interesse de ambos, mas com ênfase no construtor gaulês. De recordar que as patentes da Broadcom abrangem todo o mundo, pelo que o problema alemão da Renault pode rapidamente tornar-se global e ser multiplicado por umas centenas de países. A menos que o fabricante do Clio e do Megane tenha a razão (e a lei) do seu lado…