Os investigadores do FBI escrutinaram registos bancários, emails e fizeram buscas nas várias casas do norte-americano Jeffrey Epstein. Apesar de terem recolhido várias provas que indiciam que o antigo investidor abusou sexualmente de menores de idade, terão obtido “provas escassas” de que Epstein tivesse uma rede de tráfico sexual.

Esta é uma das conclusões da análise feita pela Associated Press (AP News) a vários documentos internos do Departamento de Justiça (DOJ) norte-americano. Epstein, que foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, foi acusado de vários crimes de abuso. Entre as acusações, figura também a alegação de que teria uma rede de tráfico sexual para servir uma elite de homens poderosos.

De acordo com a AP News, que viu um memorando interno do FBI, a análise dos registos financeiros do empresário não terá provado ligações a atividades criminosas. Foram recolhidos vídeos e fotografias das casas de Nova Iorque, da Flórida e das Ilhas Virgem — mas, segundo um documento de um procurador, não eram retratados abusos nas imagens.

“Quatro ou cinco” acusadoras de Epstein falassem em abusos sexuais feitos por homens e mulheres, usando até a expressão de serem “emprestadas” por Epstein a homens poderosos. Porém, os agentes do FBI consideram que “não há provas suficientes para acusações federais a esses indivíduos, portanto os casos foram referenciados para autoridades locais”.

Esta análise da AP refere que as autoridades investigaram até “afirmações aparentemente bizarras e incompreensíveis, feitas em linhas telefónicas”. Em alguns casos, não conseguiram chegar a nenhuma conclusão.

Mas um dos casos analisados foi o de Virginia Roberts Giuffre, que acusou Epstein de abuso sexual e de a ter obrigado a encontros sexuais com vários homens — incluindo alegadamente André Mountbatten-Windsor. Esta segunda-feira, o Palácio de Buckingham mostrou-se “pronto para apoiar” a polícia nas investigações a André. 

Ficheiros Epstein. Palácio de Buckingham “está pronto para apoiar” a polícia nas investigações sobre André Mountbatten Windsor

Os investigadores falaram com Giuffre em 2011 e em 2019, concluindo que foi abusada sexualmente por Epstein. Mas terão encontrado outras questões problemáticas na versão de Giuffre, que morreu em 2025. Por exemplo, o facto de a mulher norte-americana ter reconhecido que ficionou parcialmente uma parte das suas memórias com Epstein. Os documentos dos investigadores também referem que Giuffre terá alterado as versões ao longo dos encontros com as autoridades.

Morreu Virginia Giuffre, a mulher que acusou o príncipe André de abuso sexual

A análise dos documentos também confirma que o FBI não encontrou dados sobre uma suposta “lista de clientes”. Em fevereiro de 2025, Pam Bondi, procuradora-geral dos EUA, disse à Fox News que teria “em cima da secretária” uma lista de clientes de Epstein. “Ainda que a cobertura dos media sobre os casos de Jeffrey Epstein faça referência a uma ‘lista de clientes’, os investigadores não conseguiram localizar nenhuma lista ao longo do decorrer da investigação”.

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