Um troço da Autoestrada 1 (A1) sobre o rio Mondego desabou esta quarta-feira à noite na sequência do rompimento do dique nos Casais, no concelho de Coimbra, confirmaram ao Observador fontes da Brisa e da GNR.
O abatimento ocorreu na placa sobre o aterro que dá acesso ao viaduto naquela zona. “Quando a ponte termina assenta ali numa parte de talude, essa parte foi comida pela água por baixo, o que acabou por fazer a derrocada”, disse à SIC Carlos Luís Tavares, o comandante regional da Proteção Civil de Coimbra, acrescentando que o troço cedeu no sentido Norte-Sul, ao quilómetro 191,2.
A A1 estava cortada desde cerca das 17h45 entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos, devido ao rebentamento do dique no rio Mondego. Face a este corte, a principal alternativa é o Itinerário Complementar 2 (IC2), ou seja a antiga estrada nacional que liga o norte ao sul, indicou a GNR à Lusa.
O ministro das Infraestruturas disse que o desabamento foi possível devido à situação “absolutamente extraordinária” que se vive no país com a passagem de sucessivas tempestades. Em declarações à SIC, Miguel Pinto Luz explicou que o Governo tomou pelas 16h30 a decisão de encerrar aquela parte da autoestrada para precaver uma situação destas.
“O problema está a ser monitorizado há vários dias com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, sabíamos os riscos”, afirmou. “A situação é absolutamente extraordinária e para situações extraordinária é preciso soluções extraordinárias”, sublinhou.
O governante adiantou que está a caminho de Coimbra: “Com tranquilidade, estamos a acompanhar, estamos preocupados e eu estou neste momento a deslocar-me para o lugar”. “Ninguém manda encerrar a A1 ou uma infraestrutura absolutamente crítica para o país sem ter em consciência aquilo que são os riscos que estão calculados”, acrescentou.
Também a presidente da Câmara Municipal de Coimbra alertou para o problema “gravíssimo” que não se resume a Coimbra: “Muitos municípios estão com problemas gravíssimos nas estradas e nas pontes”. “Estou a falar de problemas mesmo muito muito graves. Podem não ter a mesma visibilidade, mas o seu somatório é igualmente grave”, disse à RTP após o desabamento do troço da A1. Ana Abrunhosa acrescentou que o país vai passar “meses a fazer diagnósticos a pontes, estradas e diques”.
“Estamos a falar de um troço bastante grande entre Coimbra Norte e Coimbra Sul, que é muito percorrido e que nos coloca aqui um problema que já sofre: que é ser uma cidade de muita passagem”, apontou a autarca.
Ana Abrunhosa disse que ainda não teve a oportunidade de falar com o ministro das Infraestruturas, Nuno Pinto Luz, mas que o fará com a maior brevidade possível. “A conversa com o senhor ministro Pinto Luz não pode ser sobre a A1 e ele sabe disso. E sabemos também da sua disponibilidade e da sua vontade em resolver problemas. Não temos a menor das dúvidas em encontrar soluções rápidas”, acrescentou.
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