Moçambique registou mais 117 novos casos de cólera no atual surto, em 24 horas, com um morto, elevando a quase 5.000 infetados desde setembro, com 63 óbitos, segundo dados oficiais a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso.

De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 3 de setembro a 9 de fevereiro, do total de 4.843 casos de cólera contabilizados neste período, 2.051 foram na província de Nampula, com um acumulado de 24 mortos, e 1.847 em Tete, com 28 óbitos, além de 807 em Cabo Delgado, com oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado aponta para 79 casos de cólera, e um morto, na província da Zambézia, e 59 casos e dois mortos na província de Manica.

Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (9 de fevereiro), foram confirmados mais 117 casos e um morto, em Nacala-Porto, província de Nampula, com a taxa de letalidade geral nacional em 1,3%.

Surto de cólera em Moçambique com mais 81 novos casos em 24 horas

No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

O atual surto já ultrapassa neste período o número de doentes em metade do tempo do surto anterior.

Moçambique vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em cinco dias de campanha em quatro províncias, superando a meta antes prevista, anunciou na terça-feira o Governo, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em cinco dias de campanha, foram vacinadas 1.790.410 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte, e Sofala e Zambézia, no centro de Moçambique, correspondendo a 102% da população inicialmente anunciada.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse então Inocêncio Impissa.