A Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana divulgou esta quinta-feira um novo vídeo em mandarim com o objetivo de recrutar espiões dentro das Forças Armadas chinesas. De acordo com o New York Times, estas imagens dirigem-se aos oficiais militares que estão descontentes com os alegados casos de corrupção no exército e com as recentes purgas conduzidas pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
O vídeo, publicado no Youtube, retrata um oficial do Exército de Libertação Popular (ELP), o braço militar do Partido Comunista e que funciona como a principal força militar chinesa, a deslocar-se para o trabalho enquanto descreve, em mandarim, a frustração que sente com a liderança de Xi. “Cada dia que passa torna-se mais claro que a única coisa que os líderes do partido querem defender são os próprios bolsos”, afirma o narrador, numa referência às alegações de corrupção entre altas patentes.
A campanha da CIA surge numa altura em que Xi Jinping tem reforçado o combate à corrupção nas Forças Armadas. No último mês, o chefe de Estado afastou o mais alto responsável militar do país, Zhang Youxia, e outro general de topo, após a abertura de investigações por “graves violações da disciplina e da lei“, segundo as autoridades chinesas.
Desde 2023, o Presidente chinês tem levado a cabo várias mudanças no seio do Exército de Libertação Popular. Destituiu vários generais de topo e fez alterações no Ministério da Defesa com a justificação do combate à corrupção, que é a sua grande bandeira. Na Comissão Militar Central da China, que era ocupada por sete homens há apenas três anos, só sobra um general, além do chefe de Estado e secretário-geral do Partido Comunista. O órgão foi totalmente esvaziado e moldado à imagem de Xi Jinping.
Vários responsáveis norte-americanos têm debatido, segundo o New York Times e a CNN, as motivações de Xi, admitindo que tanto poderá estar a responder a ameaças políticas internas como a procurar erradicar práticas corruptas que têm prejudicado a modernização do Exército de Libertação Popular.
A direção da CIA considera, por isso, que este contexto abre uma janela de oportunidade para recrutar militares descontentes com a liderança chinesa. Em declarações à imprensa norte-americana, John Ratcliffe, diretor da agência, afirmou que a campanha do ano passado em mandarim “alcançou muitos cidadãos chineses” e garantiu que a iniciativa vai continuar.
A agência de espionagem norte-americana publicou, ainda, instruções online sobre a forma como os cidadãos chineses podem utilizar redes privadas ou a dark web para estabelecer contacto com a CIA sem serem detetados pelas autoridades de Pequim.
Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que “tomará as medidas necessárias” para combater infiltrações na agência de informação norte-americana. “Os esquemas das forças anti-China não terão sucesso”, avisou o porta-voz Lin Jian.