A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) ajudou mais de 70 jovens a arranjar trabalho em 10 anos, revelou esta segunda-feira a organização a propósito do dia internacional da Síndrome de Asperger, que se assinala na quarta-feira.
“Foi muito difícil arranjar trabalho”, disse um dos beneficiários do Programa de Empregabilidade da APSA, João Monteiro (nome fictício), de 36 anos, a quem a associação ajudou a arranjar o emprego de técnico administrativo num hospital, que tem desde de dezembro.
A APSA é uma associação sem fins lucrativos criada em 2003 por pais com filhos portadores da Síndrome de Asperger, tem 398 associados e visa apoiar e integrar as pessoas com Síndrome de Asperger na sociedade.
Beneficiário da associação, João Monteiro foi diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 26 anos quando estava à procura de trabalho.
À Lusa, contou que gosta que o seu trabalho seja “calmo e repetitivo” e que lhe permita aprender a estar com pessoas, explicando que é “muito frustrante” quando tenta falar com outras pessoas e estas não o compreendem.
Licenciado em biologia, João Monteiro espera poder continuar a trabalhar no hospital por mais tempo e prosseguir a formação no ensino superior.
“Com o dinheiro do trabalho em part-time, espero conseguir tirar um mestrado”, disse João Monteiro que também recebe uma pensão do Estado.
A APSA também ajudou João Monteiro a arranjar um trabalho como voluntário no museu de história natural.
A presidente da APSA, Piedade Líbano Monteiro, disse à Lusa que a associação prepara os beneficiários para qualquer setor, como a área administrativa, agricultura, artes, informática, cozinha, desporto, retalho, entre outras.
A responsável referiu que os beneficiários também são preparados para entrevistas de emprego e para o processo de seleção de trabalhadores.
“Quando começas a sentir esta ansiedade, que tem sintomas, sais, respiras fundo, vais dar uma volta”, explicou a presidente da APSA, dando o exemplo também de estratégias que as técnicas da associação ensinam aos utentes para lidarem com sintomas da Síndrome de Asperger.
A responsável da organização disse que é necessário que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tenha uma parte virada para as necessidades educativas especiais, com equipas capazes de trabalhar em todas as áreas, quando os pais levam os filhos ao centro de saúde, por exemplo.
Piedade Líbano Monteiro indicou que antes de o utente da organização começar a trabalhar, a APSA dá uma sessão de sensibilização às empresas que vão recebê-lo.
“Toda a gente tem de perceber que vão ter um colega com esta particularidade”, sendo o objetivo informar e preparar a empresa o máximo possível para prevenir conflitos e mal-entendidos, disse a responsável.
Questionada sobre o ponto de situação dos portadores de Síndrome de Asperger no mercado de trabalho, Piedade Líbano Monteiro disse que cada vez mais empresas incluem “estas pessoas nos seus recursos humanos”.
A APSA tem diversas iniciativas de integração, como ateliês de informática e de música.
No âmbito do Programa de Empregabilidade da associação, 38 empresas receberam utentes da associação para trabalhar.
Em Portugal existem mais de 40 mil pessoas com a Síndrome de Asperger, segundo a APSA.