As informações avançadas pela imprensa germânica são duplamente preocupantes, porque afirmam que o Grupo Volkswagen pretende avançar com uma redução dos custos em 20% e, como se isto não bastasse para fazer soar os alarmes, a publicação Manager Magazin especifica ainda que estes cortes terão de ser efectuados até final de 2028, o que implica que a redução tem de ser realizada sem “paninhos quentes” e apenas em pouco mais de 2,5 anos.
Estas duras medidas terão sido apresentadas à administração do grupo alemão em Janeiro pelo CEO Oliver Blume e, apesar de não terem sido divulgados pormenores específicos sobre as áreas em que os cortes irão incidir, acredita-se que haverá fecho de fábricas entre as medidas a tomar. Um porta-voz da empresa disse à Reuters que o objectivo é reduzir a despesa acima dos 10 mil milhões de euros, em parte para fazer frente às alterações tarifárias, referindo-se ao mercado norte-americano, onde o grupo estima perder 1,3 mil milhões, e a questões geopolíticas, a pensar no mercado chinês.
Volkswagen e sindicatos chegam a acordo: menos 35.000 postos de trabalho e Golf para o México
A prova que o Grupo Volkswagen atravessa um período difícil está patente na redução dos lucros operacionais, que só nos primeiros seis meses de 2025 caíram 33%. E internamente, se por um lado se acusa as fábricas alemãs de Zwickau e Emden (especializadas na produção de veículos eléctricos) de terem ficado abaixo das expectativas, por outro, advoga-se cortes na sede do conglomerado, em Wolfsburg, inclusivamente no seio da própria administração e em lugares de topo.
Esta redução de 20% dos custos até 2028 “cai” em cima de um outro anúncio, realizado em 2024, que antecipava a extinção de 35.000 postos de trabalho, sobretudo na Alemanha, medida que já teve como consequência a deslocalização da produção das duas versões do Volkswagen Golf da principal fábrica do grupo, em Wolfsburg, para as instalações em Puebla, no México, além do encerramento da Fábrica de Vidro em Dresden, unidade emblemática pelo design e pela localização em pleno parque da cidade, mas de baixa produção e exclusivamente de montagem, uma vez que não possui secções de estampagem de chapa nem de soldadura do chassi.