Um sismo de 4.1 na escala de Richter foi sentido na manhã desta quinta-feira pelas 12h14, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e com o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico. Dois minutos depois foi sentido um novo abalo, também de 4.1. Os dois sismos foram os maiores “dos últimos nove anos”.
“Com origem próxima da zona de Alenquer, verifica-se serem estes os maiores sismos — em termos de magnitude – dos últimos nove anos”, lê-se num comunicado do IPMA, cujo acesso chegou a estar condicionado devido ao enorme número de pessoas que tentavam entrar. O IPMA acrescentou ainda que o epicentro foi a quatro quilómetros a noroeste de Alenquer, a uma profundidade de 15 quilómetros.
De acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), “não há registo de danos pessoais ou materiais até ao momento”. Ainda assim, recorda alguns dos cuidados a ter.
A Proteção Civil lembra que está a acompanhar a situação e deixa um alerta particular para as pessoas que vivem ou estão em zonas que foram afetadas pelas recentes tempestades: “Apelamos à população para cuidados redobrados nas zonas já anteriormente afetadas por movimentos de massa e instabilidade de estruturas devido aos fenómenos recentes de meteorologia adversa”.
#Earthquake (#terramoto) possibly felt 21 sec ago in #Portugal. Felt it? Tell us via:
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⚠ Automatic crowdsourced detection, not seismically verified yet. More info soon! pic.twitter.com/ysBayLzfYH— EMSC (@LastQuake) February 19, 2026
Em Lisboa, a população está a ser avisada por mensagem de texto pelo Serviço Municipal de Proteção Civil: “Mantenha a calma e esteja atento a eventuais replicas. Se justificar emitiremos novas informações”.
Não é uma “situação excecional”, diz geofísico Miguel Miranda
Em declarações à Rádio Observador, Miguel Miranda, geofísico, antigo presidente do IPMA, explica que se trata de “uma zona em que este tipo de fenómenos tem acontecido”, mas que o sismo ocorreu a “uma profundidade razoavelmente grande”.
O geofísico e coautor do podcast do Observador “E o Resto é a Ciência” lembra que, a propósito das variadas hipóteses já consideradas para um novo aeroporto ao longo dos anos, os estudos desta zona forma claros: “A heterogeneidade geográfica tem alguma capacidade de gerar sismos com magnitude sensível”.
Neste caso, “não é uma magnitude moderada sequer”, mas “foi sentido seguramente por muita gente que nos próximos minutos e horas deverá responder ao inquérito do IPMA”, alerta. Não são esperados danos nas estruturas, mas, tendo em conta que “esta região do país foi afetada por episódios de vento muito forte, não é impossível que regiões muito fragilizadas sofram algum dano”.
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Segundo o geofísico, trata-se de um “sismo de pequena magnitude, mas ainda assim sensível”. E recorda que “há muitos sismos de 4.1”. “Não se trata de uma situação excecional”, diz, concluindo que “a energia é reduzida”.
O sismo desta quinta-feira ocorre um ano e dois dias depois do abalo de 4,7 registado a 14 quilómetros a sudeste de Lisboa e quase um ano e seis meses após o de 5,3 registado em várias regiões de norte a sul do país.
Segundo abalo “tratou-se de um sismo e não de uma réplica”
Segundo explicou Fernando Carrilho, chefe da Divisão de Sismologia do IPMA, à Rádio Observador, o segundo abalo tratou-se de um sismo e não de uma réplica.
Foram verificados “dois sismos muito próximos no tempo, com cerca de pouco mais de dois minutos de separação entre si, na mesma zona, próximo de Alenquer e com profundidades relativamente próximas, sendo o segundo ligeiramente mais superficial”, disse, sublinhando que não é possível classificar o segundo abalo como réplica ou o primeiro como precursor, uma vez que ocorreram praticamente em simultâneo e resultam do mesmo processo tectónico.
Quanto à possibilidade de novos abalos, Fernando Carrilho considera natural que possam surgir réplicas, embora “tendencialmente de menor magnitude”.