Os trabalhos de demolição da antiga central a carvão do Pego em Abrantes vão iniciar-se em março. Em comunicado, a empresa responsável pela operação, a Tejo Energia, indica que esta demolição marca “uma nova fase no processo de reconversão do complexo industrial e na preparação do local para futuros projetos alinhados com a transição energética.”

A Tejo Energia espera que a intervenção de demolição demore cerca de três anos e abrangerá todas as infraestruturas diretamente associadas à produção de eletricidade a partir de carvão. O objetivo é recuperar os terrenos até às suas condições de base. O ramal ferroviário, usado para o transporte de carvão a partir do porto de Sines, e a ponte rodo-ferroviária existentes não serão alvo de qualquer intervenção

A demolição das torres de refrigeração e a chaminé da central, com 116 metros e 225 metros de altura, respetivamente, será efetuada na fase final do projeto através do uso controlado de explosivos. “A operação altamente técnica será realizada por equipas especializadas e certificadas, cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de segurança”.

O Pego foi a última central a carvão a funcionar em Portugal, tendo encerrado em novembro de 2021, na sequência da extinção do contrato de aquisição de energia com a REN (Redes Energéticas Nacionais).

A decisão de desmantelar a central “surge na sequência da impossibilidade em concretizar o projeto de reconversão energética que a Tejo Energia apresentou ao então Governo português, o qual previa, além da construção de centrais de energia solar fotovoltaica e eólica, a substituição do uso de carvão por biomassa florestal residual local, complementado com a possibilidade de atuar como compensador síncrono e, deste modo, contribuir para a estabilidade da rede elétrica”.

O Governo socialista escolheu a proposta apresentada pela Endesa, a qual assenta apenas em produção renovável, combinando eólica, fotovoltaica e baterias. Este projeto está em licenciamento ambiental. Os trabalhadores da antiga central continuam a receber os salários pagos pelo Estado até que possam ser transferidos para o novo projeto.

Reconversão do Pego, a última central a carvão, já tropeçou numa nega do Exército e no chumbo ambiental a um dos projetos

Durante o pico dos trabalhos, a operação de desmantelamento e demolição poderá envolver cerca de 80 trabalhadores, representando um impacto positivo temporário na economia local. A Tejo Energia assegura que irá adotar as melhores práticas internacionais, privilegiando a reutilização de equipamentos, a reciclagem de betão para operações de nivelamento, a separação e reaproveitamento de materiais metálicos e a minimização de resíduos enviados para aterro.