Em Portugal é (tristemente) frequente ter de enfrentar os danos causados pelo excesso de chuva, bem como as cheias e as enxurradas a que este fenómeno está associado, mas os ventos fortes que nos chegam à boleia das tempestades mais violentas é praticamente uma novidade. E, quando estes ventos atingem velocidades próximas dos 200 km/h, os danos que conseguem causar impressionam qualquer um. Se já vimos o que pode acontecer às árvores e aos telhados mais frágeis, é aconselhável precavermo-nos em relação aos danos que estas massas de ar, que se deslocam a velocidades que nem todos os automóveis conseguem atingir, podem causar em veículos, especialmente os que possuem grandes superfícies que por vezes actual como velas.
Todos estamos familiarizados com a facilidade com que uma enxurrada pode arrastar dezenas de automóveis, mas é menos provável que a generalidade dos condutores esteja consciente do risco que certo tipo de veículos correm quando o vento atinge velocidades menos habituais. E nem é necessário que a ventania iguale ou supere 200 km/h, pois, mesmo a velocidades mais comedidas, é fácil virar ou desequilibrar e provocar o despiste de veículos mais volumosos, por vezes atirando-os contra outros que circulam em sentido contrário.
Captured this semi flipping with @BlakeBrownWx south of Dumas, TX#txwx
— Jordan Hall (@JordanHallWX) February 17, 2026
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Se ventos fortes a virar veículos ainda é (felizmente) uma raridade no nosso país, há outras regiões do globo em que este tipo de acidentes são bastante comuns e, para o provar, socorremo-nos de umas imagens publicadas este mês na rede social X, em que é visível um camião semi-reboque que circulava numa estrada nacional ser derrubado quando circulava próximo de Dumas, no Texas. Numa região onde o serviço nacional de meteorologia norte-americano previa ventos entre 56 e 72 km/h, com rajadas de até 113 km/h — bem abaixo dos 200 km/h que se fizeram sentir como máximo em Portugal, mais especificamente na região centro —, são visíveis as consequências da força do vento a incidir na lateral do semi-reboque, levando-o a inclinar para um dos lados e provocando o despiste, sem que o condutor do tractor o consiga impedir. De recordar que um semi-reboque de 40 pés puxa um atrelado com 12,2 metros de comprimento e 2,6 m de altura, o que lhe confere uma superfície lateral de 31,6 m2, um valor equivalente à vela grande de um veleiro de dimensões generosas rizada para vento forte.
First bad Jack knife with injuries to the driver's face here on highway 87 south of Dumas Texas do to losing control in high winds @NWSAmarillo #txwx #wxtwitter pic.twitter.com/OIX6VSWYqF
— The Storm Chasing Guy (@JonTheStormGuy) February 17, 2026
De acordo com imprensa local, as críticas das autoridades foram apontadas sobretudo aos condutores que, aos comandos de veículos vazios, o que significa com pouco peso mas com muita área exposta ao vento, insistiram em percorrer as zonas em que se previam ventos demasiados fortes pela frente. Isto implica um cuidado redobrado para quem está ao volante de camiões e de tractores semi-reboques, a circular vazios ou com cargas muito volumosas mas leves. Mas se os camiões estão nas mãos de profissionais do volante e de empresas especializadas em logística, há outros veículos que estão nas mãos de privados e condutores particulares, como os furgões, as rulotes, as motorhomes, em que a superfície exposta ao vento é proporcionalmente maior do que o peso que transportam na maioria das vezes.
Ainda no Texas, um segundo acidente nos últimos dias ocorreu quando um veículo, que não um camião, mas sim uma pick-up rebocando um menos volumoso atrelado, também se despistou devido à força do vento, com o resultado a ser igualmente evidente num post publicado no X. A par destes dois exemplos registados em vídeo, o gabinete do xerife local informou da ocorrência de vários outros acidentes na região, fruto do vento que se fez sentir e que fustigou sobretudo veículos em que o volume ultrapassou o peso do conjunto.