Quatro dias para ganhar fôlego e mudar por completo o chip, quatro dias para tentar encontrar o “pormenor” que conseguisse ludibriar quem conhece de trás para a frente tudo o que é a identidade, o sistema e as ideias do adversário. Mais do que as mudanças de formato competitivo, a grande “viragem” estrutural na Liga dos Campeões para as equipas nacionais chegou no momento em que passaram a existir duas equipas a jogar a prova ao invés de ser apenas o campeão. A partir daí, e de forma mais ou menos assumida, a Liga portuguesa passou a ter dois candidatos assumidos à Final Four em Pesaro e, nas últimas 11 épocas, apenas por uma ocasião não houve uma formação nacional entre as quatro melhores (sendo que, nas derradeiras quatro, em três foram as duas a marcar presença). O que faltava? Uma final 100% portuguesa… que não seria desta.
Quis o sorteio que, depois de uma main round só com vitórias (e algumas expressivas) e de uma qualificação nos oitavos a duas mãos com duas goleadas frente a Araz e AEK Atenas, Benfica e Sporting cruzassem logo nos quartos da competição, num cenário que na principal prova europeia tinha acontecido apenas uma vez quando os encarnados venceram os leões na atribuição do terceiro e quarto lugares da temporada de 2023/24. Só um poderia continuar a lutar pelo objetivo Champions, com os encarnados a terem a ambição de voltarem a uma final como não acontece desde 2009/10, quando ganharam pela única vez a competição, e os leões em busca da sétima decisão nos últimos dez anos em que foram campeões duas vezes (2019 e 2021).
“Há um jogo incrível, sempre decidido por milímetros, por centímetros, ou seja, por jogadas. Qual a jogada, não sabemos. Procuramos pensar e preparar-nos ao máximo mas sabemos que há algo que também parte do atleta, do improviso. Vejo que as duas equipas vão chegar muito fortes. Se alguém vir o Benfica a jogar, sabe o que vai acontecer, se alguém vir o Sporting a jogar, sabe o que vai acontecer. Procuramos melhorar e aprender a cada jogo mas as duas equipas têm uma identidade própria e isso não se muda em dois ou três dias. Tenho uma analogia que gosto muito: há pessoas às quais a gente precisa chutar no bumbum para elas caminharem e há as pessoas especiais, que se chutam a si próprias. E eles têm essa fome. Se pegarem em histórias de grandes desportistas, por exemplo, temos um fenómeno, que é o Cristiano Ronaldo, português. Uma pessoa que é um milionário. Por que é que ele continua a trabalhar tanto? É algo dele. É intrínseco. É isso que admiro nos nossos jogadores, essa fome de querer fazer cada vez melhor”, frisara Cassiano Klein.
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“Quero ver um Sporting ‘à Sporting’, dentro daquilo que é a nossa identidade. Uma equipa pressionante, aguerrida, que gosta de ter a bola e explora situações com guarda-redes, pivôs e 1×1 na ala. Estamos perante uma situação nova. Com o AEK foi algo parecido mas ao fim de sete ou oito minutos, na Grécia, conseguimos garantir a continuidade na prova. Desta vez, vai ser tudo mais equilibrado e acredito que vai ser decidido em 80 minutos, não em 40. Vai ser um jogo duro com duas partes, uma na Luz e outra no Pavilhão João Rocha. Quem for mais consistente vai passar esta eliminatória. Há sempre pequenos ajustes a fazer. Na forma como defendemos o Léo [Gugiel], na forma como atacamos as superioridades numéricas porque poderíamos ter sido mais eficazes. Também na bola parada não criámos muito perigo, por isso há sempre ajustes a fazer. Não há tempo para fazer e rotinar alterações mas há coisas que podemos melhorar”, apontara Nuno Dias.
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Era neste contexto que chegava um dérbi que levou a um reforço policial no exterior do recinto, depois dos graves incidentes registados há quatro dias em Alvalade que motivaram 124 detenções de adeptos dos dois clubes, era neste contexto que chegava o quarto dérbi da época que conhecera até agora os três resultados possíveis, entre uma vitória do Sporting na final da Supertaça, um triunfo do Benfica na primeira volta da Liga e um empate na segunda volta da Liga, mas que tentava confirmar um “ressurgimento” dos encarnados depois dos últimos anos de domínio verde e branco. Agora, com vários jogadores do futebol dos encarnados nas bancadas, a vitória voltou a cair para o conjunto da casa, colocando os campeões em vantagem para a segunda mão no Pavilhão João Rocha naquele é mesmo um dos melhores dérbi do mundo.
A partida começou com o adiantamento dos guarda-redes a ser um fator diferenciador em ataque organizado mas com os erros contrários a permitirem criar as principais oportunidades, como aconteceu num remate de Zicky ao lado após uma falha coletiva de marcação, numa perda de Diogo Santos que permitiu a Lúcio surgir numa situação 1×0 contra Bernardo Paçó e num desvio na área de Pauleta em antecipação a Pany Varela que foi defendido por instinto por Léo Gugiel. Os minutos iam passando com posses divididas, mais perigo dos leões nos remates feitos e nenhum golo que pudesse desbloquear a partida, com essa nota clara da diferença que era do lado leonino contar com o regresso de Zicky Té a jogar como pivô a rodar com Rocha e Allan Guilherme, numa opção pouco habitual de Nuno Dias em colocar três jogadores da posição na ficha. Nem mesmo situações de 2×1 desfizeram o nulo, com Lúcio a errar na saída a partir de trás mas a ir depois cortar de carrinho o desvio de Allan Guilherme na área após assistência de Pauleta sem Gugiel na baliza.
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Silvestre ainda teve uma boa oportunidade em zona central após assistência de Diego Nunes para o remate ao lado mas seria mesmo o Sporting a inaugurar o marcador e num esquema tático após livre descaído sobre a esquerda, com Bruno Pinto a aparecer sozinho ao segundo poste para encostar para o 1-0 (15′). A pressão que os leões faziam mais alto para evitarem que Léo Gugiel fizesse mais vezes desenhos de 5×4 também ia dando resultados, Pauleta teve outra oportunidade flagrante para aumentar a vantagem isolado (17′) mas acabaria por ser o Benfica a chegar ao empate perto do intervalo naquela que foi a melhor jogada coletiva e numa fase em que Pany Varela e Diego Nunes estavam em simultâneo nas alas, com Jacaré a antecipar-se a Tomás Paçó à boca da baliza para encostar para o 1-1 que se manteve depois até ao período de descanso (19′).
#FutsalSCP | ⏸️ Fim da 1.ª parte, com o empate no dérbi.
⚽️ Bruno Pinto
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O segundo tempo começou de forma “atribulada”, com um choque involuntário de cabeças entre Arthur e Diogo Santos, um problema na zona da virilha do capitão Afonso Jesus que levantou grande apreensão no banco dos encarnados e um choque de joelhos entre André Coelho e Bernardo Paçó que deixou o fixo no chão com maiores dificuldades. O critério da arbitragem estava largo, os duelos estavam intensos e foi depois de mais uma falta dura de Pany Varela sobre Wesley após um lance em que os encarnados ficaram a pedir falta do brasileiro sobre André Coelho antes de surgir isolado que nasceu o 2-1, com Alex Merlim a aproveitar um movimento mal calculado de Jacaré na barreira para rematar direto para o golo (28′). O dérbi estava muito intenso mas sem a qualidade técnica que outros duelos entre Benfica e Sporting tiveram no passado.
A desvantagem voltou a trazer a melhor versão ofensiva dos encarnados, com duas ameaças à baliza leonina antes de novo empate a meio da segunda parte numa grande jogada entre André Coelho e Higor antes da assistência para o remate certeiro de Arthur (31′). Estava aberto em definitivo o livro da primeira mão dos quartos da Champions, com Zicky Té a ter uma grande jogada individual para o remate de pé esquerdo que fez o 3-2 (31′) e Raúl Moreira a aproveitar mais um trabalho bem conseguido de Higor na posição de pivô para atirar cruzado para o 3-3 (33′). Bernardo Paçó teve uma enorme intervenção a desvio de Carlinhos na área, Bruno Maior atirou por cima da trave em boa posição, Arthur e Allan Guilherme voltaram a criar perigo mas a reviravolta estava guardada para o último segundo, quando Diego Nunes aproveitou um erro da organização verde e branca para surgir em boa posição pela direita e rematar para o 4-3 final.
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#FutsalSCP | ⏹️ Derrota dos Leões na 1.ª mão dos quartos-de-final da @UEFAFutsal. Tudo por decidir no Pavilhão João Rocha ????
⚽️ Bruno Pinto, Alex Merlim e Zicky Té.
???? 4-3 ???? // #SLBSCP #UCLFutsal pic.twitter.com/ORpTwU0c0T— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) February 23, 2026