Todas as marcas querem oferecer aos seus clientes, especialmente os que adquirem modelos mais sofisticados e mais caros, os sistemas mais avançados de condução autónoma. Mas, na maior parte das vezes, isso implica custos elevados e sem sequer oferecer a possibilidade de o veículo se conduzir a si próprio, dispensando a intervenção do condutor. Os Níveis 2 e 3 de automação permitem que o automóvel assuma a direcção, o acelerador e o travão, mas com o condutor sempre em controlo no Nível 2 para, no Nível 3, o veículo assegurar todas as funcionalidades básicas em determinadas condições, com a obrigatoriedade de o condutor intervir sempre que necessário. A BMW já oferecia o Nível 3 no seu eléctrico topo de gama, o  i7, mas vai realizar um downsizing e passar a disponibilizar somente o Nível 2. Tudo por uma questão de preço.

Até aqui, a BMW equipava os seus i7 com Nível 3 de autonomia, um equipamento opcional que exigia um investimento adicional de 6.000€, uma vez que inclui sistemas dispendiosos como o LiDAR, completado com soluções de processamento cada vez mais potentes e rápidas. Mas, segundo o construtor germânico, a melhor solução para reduzir os custos consiste em recorrer a um sistema herdado da nova geração de veículos eléctricos da BMW, os Neue Klasse Technology, que dão origem ao iX3, o novo SUV eléctrico da marca germânica.

O abandono de sistemas de ajuda à condução mais sofisticados não é uma opção exclusiva da BMW, uma vez que também a rival Mercedes e o grupo Stellantis tomaram uma decisão similar e trocaram o Nível 3 que disponibilizavam em alguns modelos topos de gama por um Nível 2, menos funcional e mais acessível. Isto significa que a BMW vai abrir mão do seu Personal Pilot L3, o sistema mais sofisticado da marca mas que funciona apenas até 60 km/h, abandonando-o em favor de um mais barato Nível 2.

De acordo com a Automotive News, a BMW tinha de encaixar 6000€ devido à inclusão do Nível 3 de condução autónoma mas, a partir de 2027, quando o próximo i7 chegar ao mercado (a seguir ao Verão), vai apenas ter de lidar com um custo adicional de 1.450€. A BMW propõe o i7 em Portugal a partir de 122.000€, na versão e-Drive50 (com 455 cv e 612 km de autonomia), com o preço a evoluir até aos 188.400€ do i7 M70 e-Drive (659 cv e 559 km), pelo que não deveria ser difícil convencer alguém que paga quase 200 mil euros por um topo de gama eléctrico em adquirir por apenas mais 4550€ um sistema de ajuda à condução mais sofisticado e evoluído, que incrementaria a segurança e o conforto de utilização. Sobretudo porque, tradicionalmente, entre estofos em pele, sistemas de som hi-fi, jantes de maior diâmetro e pneus mais largos e com perfil inferior e pintura mais sofisticada, os clientes da BMW investem pelo menos entre uma e duas dezenas de milhar de euros nos seus topo de gama.