Os tribunais da Comarca do Porto Este apresentam “fragilidades estruturais que comprometem, de forma séria, o desempenho do Ministério Público e o funcionamento da justiça, denunciou esta terça-feira o sindicato Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

O SMMP efetuou esta terça-feira uma reunião com os profissionais da Comarca de Porto Este em que identificou problemas de falta de pessoal, sobrecarga processual, problemas nas instalações e carências informáticas, situação muito semelhante à encontrada noutros tribunais do país.

“O diagnóstico é claro: a comarca trabalha muito abaixo do necessário, e a entrada exponencial de novos inquéritos tem conduzido a situações limite”, critica o sindicato, dando como exemplo o caso de Amarante, onde um magistrado acumula quase mil inquéritos e uma magistrada acompanha 500 processos, metade deles de violência doméstica, “uma área particularmente sensível que exige resposta imediata”, estendendo-se o mesmo problema a outros tribunais.

A reunião desta terça-feira fez parte do ciclo de plenários iniciados a 9 de outubro de 2025 nas 23 comarcas do país para avaliar o estado do parque judicial e as condições de trabalho.

A estrutura sindical realça que a Comarca de Porto Este, com sede em Penafiel, “abrange um território extenso e heterogéneo” composto por oito municípios — Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel.

É uma das maiores comarcas do país, com juízos centrais distribuídos por vários municípios e juízos locais presentes em praticamente todo o território, o que para o SMMP “exige uma estrutura operacional robusta, recursos adequados e capacidade de resposta permanente para garantir proximidade, celeridade e eficácia”.

O SMMP considera que o excesso de trabalho tem levado ao recurso sistemático a acumulações de serviço, um mecanismo excecional que, em vez de aliviar a pressão, acaba por sobrecarregar ainda mais os magistrados do MP, frisando que estas acumulações, autorizadas para garantir o funcionamento mínimo dos serviços, tornaram-se recorrentes e revelam a incapacidade estrutural do sistema em responder às necessidades reais da comarca.

O sindicato denuncia também que as condições das instalações e da segurança na Comarca revelam um cenário muito abaixo do exigível, com impacto direto na dignidade do trabalho e na qualidade do serviço prestado, uma situação também similar a outras que tem encontrado pelo país.

O SMMP conclui que “a situação vivida na Comarca de Porto Este compromete a qualidade da justiça, a proteção das vítimas e a saúde dos profissionais”.

“A sobrecarga extrema, agravada pela falta de recursos humanos, pelas condições deficientes das instalações e pela impossibilidade de aplicar plenamente os conteúdos funcionais legalmente atribuídos ao MP evidencia um modelo esgotado e incapaz de responder às exigências de um território vasto e populoso”, vinca, apelando a uma “intervenção urgente”.

Após o plenário desta terça-feira, restam cinco comarcas para concluir a ronda nacional que o SMMP pretende finalizar até abril, quando pretende apresentar à tutela as conclusões recolhidas em todo o país.

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