Uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido vítima de violação em grupo num apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no último dia de janeiro. O crime, classificado pelas autoridades como “chocante”, terá sido cometido por cinco jovens, um deles menor e ex-namorado da vítima. O caso foi remetido para o Ministério Público, tendo sido emitidos mandados de prisão preventiva para os jovens, a maioria com mais de 18 anos. Dois deles continuam em fuga.

De acordo com as declarações de Ângelo Lopes, delegado responsável pelo caso, à CNN Brasil, a adolescente foi atraída para uma “emboscada premeditada“, tendo-se apresentado na esquadra de Copacabana no próprio dia da agressão sexual, com lesões visíveis e a sangrar na zona íntima. Relatou, segundo o agente, abusos sexuais e violência psicológica.

No seu testemunho, citado pelo jornal Globo, a jovem afirmou que foi agarrada pelos cabelos e forçada a praticar atos contra a sua vontade. Referiu, também, que o ex-namorado lhe terá dado um pontapé na zona abdominal e que os quatro amigos impediram a adolescente de sair do quarto.

As agressões terão continuado mesmo depois de a jovem ter pedido para os jovens pararem. Segundo o depoimento, um dos suspeitos chegou a comentar que a mãe da adolescente “não a podia ver assim porque estava com o corpo marcado e a sangrar“.

O exame médico-legal confirmou a existência de várias lesões, compatíveis com murros e estalos descritos no depoimento da vítima. O relatório identificou, ainda, a presença de sémen e sinais de violência física recente no corpo.

“O perito disse que todas as suas lesões eram compatíveis com o relato. Nós temos o depoimento dela, captámos imagens também, a entrada e saída deles. Depois [a vítima] foi chamada, nós fizemos o auto de reconhecimento, ela reconheceu e individualizou a conduta de cada um deles. A partir disso, conseguimos concluir a investigação, mandar para o Ministério Público e expedir os mandados de prisão”, explicou o agente Ângelo Lopes.

Dois dois suspeitos já foram detidos. Polícia continua à procura dos restantes

A investigação, entretanto concluída, incluiu depoimentos e imagens e vídeos que comprovam o que aconteceu. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra os quatro adultos. Bruno Allegretti, Vitor Simonin, Mattheus Martins e João Berthô passaram à condição de arguidos no processo.

O inquérito refere, ainda, que um dos arguidos já teria tentado envolver-se sexualmente com a vítima em 2024. Na altura, a jovem ainda namorava e recusou qualquer tipo de envolvimento.

Foram emitidos mandados de prisão preventiva contra os quatro jovens maiores de idade. O menor envolvido responderá num processo separado, ao abrigo do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Um dos jovens, Matheus, foi detido e outro, João, entregou-se na esquadra de Leblon. O processo foi remetido ao Ministério Público, que dará seguimento à acusação, enquanto prosseguem as diligências para localizar Bruno e Vitor.