O secretário-geral da UGT coloca do lado do Governo, e mais concretamente do primeiro-ministro, a continuidade das negociações do pacote laboral que foram esta segunda-feira interrompidas, com os patrões a garantirem que tinham chegado ao fim. “É o primeiro-ministro que tem de dizer se o Governo sai, se acaba ou se fica na mesa para negociar este pacote [laboral]”, afirmou Mário Mourão em entrevista à RTP Notícias.

O dirigente sindical não exclui qualquer solução que o Governo encontre para retomar as negociações, garantindo que a UGT “nunca deixou de estar disponível” e que não foi a central “que disse que ia sair da reunião” desta segunda-feira, lembrando que foram os patrões a darem por terminado o processo negocial.

Mourão pede clareza ao Governo e ao primeiro-ministro e assume que continua “sentado à mesa das negociações, porque ainda não foi feita rutura”, notando que o fim definitivo da tentativa de consensualizar o pacote laboral só pode acontecer em sede de concertação social.

Para que a UGT saia da mesa das negociações, segundo Mário Mourão, terá de ouvir da parte do Governo: “As negociações acabaram, obrigada UGT, mas não queremos negociar mais convosco.” Assume, assim, que só se for o Executivo a dar o processo como concluído é que a central deixa a mesa.

Encontro com Montenegro não é negado. Mourão acusa ministra de ter “estragado toda a reunião” de novembro com entrevista

É com incerteza que o representante dos trabalhadores olha para a retoma do processo negocial, negando ter sido convocado para qualquer reunião. “Desde que saí da reunião no ministério [segunda-feira] não tive mais nenhuma convocatória ou sinal de que iria haver [outra reunião]”, assegurou.

Questionado sobre a possibilidade de um encontro com Luís Montenegro, hipótese avançada esta terça-feira pelo Observador, Mário Mourão recorda a reunião com o primeiro-ministro, em novembro, como “muito construtiva”, referindo que saiu dessa reunião a observar “abertura da parte do Governo” para chegar a acordo sobre o pacote laboral.

A reviravolta do rescaldo do encontro com balanço positivo inicial deu-se, segundo o secretário-geral da UGT, quando a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, deu um entrevista em que acabou por “estragar toda a reunião”. No dia da ida da central sindical a São Bento a ministra esteve na “Grande Entrevista” da RTP onde correu em defesa do outsourcing e garantiu que “muitos trabalhadores pedem” o banco de horas individual.

Mourão considerou uma afronta, após a reunião com o primeiro-ministro, a defesa afincada pela ministra de várias alterações à lei laboral que a UGT considerava na altura, e agora, como linhas vermelhas para se chegar a um acordo em relação ao pacote laboral, destacando a tentativa de implementar o banco de horas individual, mas também a hipótese de não reintegração de trabalhadores despedidos ilicitamente.

Na entrevista à RTP, o dirigente sindical negou por várias vezes ter fugido à discussão ou à negociação e fez questão de registar que as “traves mestras que o Governo foi anunciando estão intocadas”. Considera que elas são “meramente ideológicas” e que são um “ajuste de contas com a Agenda do Trabalho Digno”, apresentada pelo PS.

E garantiu: “Não há só uma parte responsável por não haver acordo.”