Durante a noite ouve-se uma voz que surge de dentro de uma das celas do centro de detenção metropolitano do Brooklyn, em Nova Iorque. Grita: “Eu sou o presidente da Venezuela“. E apela: “Digam ao meu país que fui sequestrado, e que estamos a ser maltratados aqui!”

O relato surge de várias fontes familiarizadas com a detenção de Nicolás Maduro nos EUA, citado numa reportagem do ABC sobre a vida em cativeiro do ex-Presidente da Venezuela. Desde 3 de janeiro que está detido na prisão federal, confinado a um espaço com poucos metros quadrados.

“A cela é um espaço reduzido, com cerca de três metros de comprimento por dois de largura, com uma cama metálica, um vaso sanitário, um lavatório e uma janela estreita por onde mal entra luz natural”, descreve-se na reportagem.

“O centro de detenção do Brooklyn é um inferno na Terra. Está em estado de total abandono, com falta de verbas e de pessoal. É um lugar onde ninguém gostaria de passar um minuto sequer”, afirma ao ABC Sam Mangel, consultor penitenciário que trabalhou durante anos com pessoas detidas em instalações federais.

No centro já aguardam julgamento figuras notórias norte-americanas e não só. De Sean “Diddy” Combs a Ghislaine Maxwell, passando pelo ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández e por Hugo “El Pollo” Carvajal , ex-chefe da inteligência venezuelana.

O ABC questionou o Departamento Federal de Prisões dos EUA em relação à situação específica de Maduro e às condições em que está detido, mas a entidade recusou-se a fornecer detalhes sobre a detenção do antigo governante venezuelano, alegando “razões de segurança e privacidade”.

Este centro de detenção em Brooklyn é o único estabelecimento prisional federal da cidade de Nova Iorque e alberga cerca de 1.600 reclusos de ambos os sexos. Há vários anos que as condições para os reclusos são descritas como precárias. O antigo advogado de Donald Trump, Michael Cohen, que também foi um recluso nesta prisão, já afirmou publicamente que as condições do local eram “repugnantes”.

Nicolás Maduro foi presente pela primeira vez a tribunal no dia 5 de janeiro, poucas horas depois de ter sido capturado na Venezuela e levado com grande aparato para os EUA. Ao juiz garantiu ter sido vítima de um “rapto” e declarou-se “inocente” das acusações da justiça norte-americana.

Entre elas incluem-se acusações dos crimes de facilitação do transporte de “toneladas de cocaína” para os EUA, de auxílio a organizações como as FARC e o cartel Tren de Aragua, bem como a venda de passaportes diplomáticos para ajudar o transporte de lucros do tráfico no território norte-americano.

Em fevereiro, o Tribunal Federal de Nova Iorque adiou e reagendou a segunda audiência do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa e primeira-dama, Cilia Flores, para 26 de março de 2026, após um acordo alcançado entre a acusação e a defesa.