Depois da reunião com o primeiro-ministro às terças-feiras, aí está mais uma mudança de estilo, mais do que simbólica, de António José Seguro. O novo Presidente da República, sabe o Observador, exigiu aos partidos que se fizessem representar apenas por uma pessoa, de preferência o líder, rompendo com a anterior tradição de cada força partidária se apresentar com uma delegação de três pessoas. Várias fontes partidárias ouvidas pelo Observador estranharam o pedido e desconfiam que essa é uma forma de Seguro tentar evitar fugas de informação para a comunicação social.
No tempo de Marcelo Rebelo de Sousa estava sempre o Chefe de Estado e mais três dirigentes de cada partido na audiência e, além disso, ainda o chefe da Casa Civil, sentado à esquerda do Presidente. Estes são mesmo encontros de um-para-um, uma vez que a chefe da Casa Civil trasitória, Cláudia Ribeiro, não está presente. A cadeira à esquerda de Seguro está vazia.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A primeira a entrar foi Leonor Beleza, do PSD, que teve uma reunião a sós com o Presidentes. Seguiu-se o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que também foi sozinho. A terceira força a estar presente, a Iniciativa Liberal também se fez representar, a pedido do Presidente, apenas pela líder do partido, Mariana Leitão. A única exceção será o Livre, que por ter uma liderança bicéfala, fez ver à Presidência da República que tinha de se apresentar com os seus dois líderes, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes. O Observador sabe que este pedido até confundiu os serviços da Presidência que tinham por hábito solicitar previamente, antes da reunião, os (três) nomes da delegação e não apenas um nome.
Fontes partidárias ouvidas pelo Observador acreditam que isto parte de “testes” de Seguro para ver de onde podem “surgir fugas de informação”. Uma outra fonte diz que “desta forma o controlo é muito maior e evita fugas de informação”. Já outra fonte partidária comenta: “As reuniões são privadas, mas não são secretas, até porque os líderes dizem cá fora do que falaram cá dentro, mas percebe-se que Seguro quer marcar aqui um estilo”.