A BYD, o construtor chinês com maior presença no mercado português (e europeu), renovou um dos seus modelos mais populares, o Atto 3, submetendo-o a uma reestruturação surpreendentemente abrangente que toca quase todas as áreas que definem este SUV compacto, da colocação do motor (que muda da frente para trás) e respectiva potência, à capacidade da bateria e à forma como ela é fixada à plataforma (onde passa a ser estrutural), passando pela rapidez de carregamento (devido a uma potência mais elevada) e pelo nível de equipamento. Muda praticamente tudo, menos a estética e o preço.
Visivelmente de novo no BYD Atto 3 é notória a alteração ao nível da denominação, que evoluiu parcamente para Atto 3 EVO, em aparente sintonia com o Grupo Volkswagen, que refrescou o ID.3, ainda que de forma mais comedida, rebaptizando-o ID.3 NEO. Um observador mais atento poderá até notar as ligeiras modificações introduzidas na zona inferior do pára-choques anterior e posterior, bem como no apêndice aerodinâmico colocado sobre a tampa da mala ou o interior alterado dos faróis e farolins. Mas estas alterações quase imperceptíveis escondem uma multitude de modificações sob a carroçaria que transformam este SUV num dos mais avançados do seu segmento.
Ao manter a carroçaria e, por tabela, as cotas da plataforma, o Atto 3 EVO continua a possuir 4,455 m de comprimento, 1,875 m de largura, 1,615 m de altura e 2,720 m de distância entre eixos. Contudo, a própria plataforma é nova (trata-se da e-platform 3.0 em vez da anterior 2.0) e por vários motivos, sendo que três dos quais saltam à vista. O primeiro prende-se com o facto de a BYD ter mudado o motor do eixo da frente para o traseiro, com o segundo motivo a ter a ver com a suspensão posterior, que foi alterada para acolher a nova localização da unidade motriz. O terceiro motivo é devido ao construtor ter adoptado a tecnologia Cell to Body, o que torna as baterias mais eficientes e, como o pack passa a ser estrutural, o chassi torna-se mais rígido graças a este “reforço”.
As baterias, que continuam a ser do tipo blade e com química LFP (fosfato de ferro-lítio), vêem a capacidade útil aumentar de 60,4 para 74,8 kWh, o que explica que a autonomia tenha saltado de 420 para 510 km, colocando este SUV da BYD ao nível dos melhores do segmento, como o Peugeot E-3008 (526 km, com 213 cv e 73 kWh) ou o VW ID.4 (560 km, com 286 cv e 77 kWh). Tão importante quanto o incremento da autonomia é o facto de o Atto 3 EVO ter trocado a tradicional arquitectura eléctrica a 400V por outra a 800V, o que permite trabalhar com menor amperagem para a mesma potência, reduzindo a tendência para o aquecimento durante cargas rápidas. Isto explica que o Atto 3, que aceitava potências em corrente contínua (DC) de apenas 88 kW quando chegou ao nosso mercado em 2023 — e depois evoluiu para 110 kW em meados de 2025 —, agora permita carregar a 220 kW em DC, reduzindo consideravelmente o tempo despendido ligado ao carregador, uma vez que vai de 10% a 80% em apenas 25 minutos.
Mais rápido e com mais mala, mas não mais guloso
O percurso ao volante do Atto 3 EVO começou por revelar um habitáculo similar, mas com melhores materiais, um painel de instrumentos digital com 8,8” graficamente mais atraente e um ecrã central que passa a usufruir das funções da Google, do Maps ao controlo por voz com inteligência artificial, passando pelo Google Assistant. Notório é também o ganho de espaço na bagageira, que atrás passou de 440 para 490 litros, a que agora soma os 101 litros da frunk, a mala à frente que permite guardar cabos de carga, ou material molhado ou sujo de lama.
Os primeiros quilómetros tornaram evidentes os ganhos em termos potência, com os 313 cv do motor instalado atrás a revelarem um dinamismo muito superior aos 204 cv da versão anterior. Os 0-100 km/h baixam para 5,5 segundos (em vez de 7,3) e a velocidade máxima auto-limitada sobe dos anteriores 160 km/h para 180 km/h. Tudo isto com um consumo similar.
Mesmo no piso algo esburacado de Lisboa, a suspensão anunciada como mais firme do Atto 3 EVO não belisca o conforto, mas torna-se evidente que o SUV é mais ágil devido à tracção traseira. Para os condutores em busca de um modelo mais rápido, a BYD passa a oferecer igualmente uma versão 4×4 denominada Excellence, cujos dois motores (um por eixo) asseguram um total de 449 cv, com a força a subir de 380 para 560 Nm de binário praticamente imediato.
O novo Atto 3 EVO já está disponível para entrega entre nós, sendo comercializado por valores a partir de 43.997€, praticamente o mesmo da geração anterior do modelo que, em meados de 2025, disponibilizava a versão Comfort por 42.490€ e a Design por 44.490€.