A Câmara de Lisboa disse esta terça-feira que estão em curso “cinco iniciativas”, entre auditorias e comissões técnicas, sobre o acidente com o elevador da Glória e recusou condicionar a proposta do PS para uma comissão eventual na Assembleia Municipal.
“É do nosso interesse que seja esclarecido tudo o mais rapidamente possível, mas que seja muito bem esclarecido”, afirmou o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis (PSD), referindo-se ao descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 3 setembro de 2025, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
O autarca do PSD falava na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), em resposta ao deputado do PS Luís Coelho que defendeu a criação de uma comissão eventual na AML para acompanhamento e esclarecimento do acidente.
“Não estamos a pedir uma comissão para fazer uma investigação paralela. Estamos a pedir uma comissão para fazer o que só a Assembleia Municipal pode fazer: acompanhar as vítimas, escrutinar a resposta do município e grantir que a cidade tira consequências de uma tragédia desta dimensão”, afirmou o socialista Luís Coelho, referindo que esse dever político não é substituído pelas ações em curso por parte do GPIAAF – Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, do Ministério Público e da seguradora da Carris, a Fidelidade.
A 3 de março, o PS apresentou a proposta de criação de uma comissão eventual na AML e, posteriormente, os grupos municipais de PSD, CDS-PP, IL e Chega, que juntos formam uma maioria de direita, anteciparam à agência Lusa a inviabilização da iniciativa, considerando que “seria apenas um circo político“. No entanto, a votação ainda não ocorreu.
“Se entendem que há lições a tirar, vítimas a acompanhar e decisões a escrutinar, então o que justifica que continuem a recusar uma comissão eventual?”, desafiou o deputado do PS Luís Coelho, afirmando que “entre o anúncio solene da resposta pública e a reparação efetiva das vítimas houve, e continua a haver, um intervalo demasiado longo”.
Em resposta, o vice-presidente da Câmara de Lisboa disse que a resposta a este “acidente trágico” está a ser assegurada de forma “muito profissional” pelas várias entidades, incluindo a empresa municipal Carris, responsável pelo elevador da Glória, que lançou uma auditoria interna e uma auditoria externa.
“O GPIAAF está a fazer o seu trabalho. E há também uma comissão técnica bastante alargada, bastante robusta, onde está o LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil], a Ordem dos Engenheiros, o Instituto Superior Técnico, a própria Carris, a própria Câmara Municipal, que está a fazer o seu trabalho, com rigor”, acrescentou.
Gonçalo Reis salientou que o executivo municipal, liderado por PSD/CDS-PP/IL, “não pressiona, nem interfere” no trabalho das comissões técnicas independente, indicando que, no âmbito da inspeção aos elevadores, já existe um relatório sobre o funicular da Graça e que se prevê a reabertura do equipamento “até ao final de abril“.
Sobre o apoio às vítimas, o vice-presidente da Câmara garantiu que todas as despesas apresentadas e devidamente justificadas “foram suportadas”, adiantando que o capital seguro contratado com a Carris, no valor de 50 milhões de euros, “cobre todas as despesas previstas”.
Relativamente às indemnizações, o autarca do PSD informou que há processos já concluídos e outros ainda a decorrer, considerando que “é normal” e que não se trata de um atraso.
Quanto à proposta do PS para uma comissão eventual na AML, Gonçalo Reis reforçou que, “entre auditorias e comissões técnicas, estão em curso cinco iniciativas”.
“Agora, se a Assembleia Municipal decidir e acordar fazer adicional, pode fazer, não me cabe a mim nem condicionar, nem propor, nem negar, não cabe nada disso”, disse, acrescentando que, se a AML aprovar a proposta do PS, “é mais uma [comissão], tem toda a sua legitimidade”.