O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno vai ser chamado ao parlamento para explicar porque é que o supervisor previu um défice das contas públicas em 2025, uma previsão que manteve até à sua substituição (por Álvaro Santos Pereira), quando a execução orçamental acabou por ser de um excedente de 0,7% do PIB. O primeiro a anunciar essa chamada ao parlamento foi o PSD e, depois, também o CDS disse que iria chamar “o reformado e pensionista na Flórida” Centeno para que explique não só as previsões (erradas) de que haveria um défice em 2025 mas, também, o “polémico negócio” da construção da nova sede do supervisor.

Além de Centeno, também a líder do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Nazaré Costa Cabral, deverá ser chamada pela mesma razão, já que também o CFP teve previsões que não se confirmaram nem sequer de forma aproximada. Aos olhos de Miranda Sarmento, o CFP tem feito “críticas políticas” desde que o PSD-CDS subiu ao poder.

Miranda Sarmento foi ouvido no parlamento, nesta terça-feira, para uma audição regimental e lembrou que “as instituições são muito importantes” e “temos de preservar a credibilidade dessas instituições”. Mas, sobre as previsões das duas instituições, “não sei como fazem os modelos”, mas o ministro das Finanças diz que ficou “surpreendido” por ver o CFP fazer uma previsão em setembro de 2025 na véspera de o INE anunciar uma grande revisão (positiva) do PIB – algo que teve um impacto muito grande em todos os cálculos orçamentais.

Centeno teve 20 anos de trabalho efetivo no Banco de Portugal mas para o cálculo da reforma antecipada contaram quase 35

Quanto ao Banco de Portugal, onde Mário Centeno foi entretanto substituído por Álvaro Santos Pereira, “o Banco de Portugal faz previsões orçamentais desde 2023, o BCE não faz, a Reserva Federal dos EUA também não”. “Não farei qualquer consideração, cada um que está no espaço político e público pode fazer os seus corolários, não tenho dúvidas de que as pessoas que dirigem estas instituições irão continuar a fazer todos os possíveis para fazer previsões credíveis”, atirou o ministro das Finanças, evitando referir o nome de Mário Centeno.

O deputado do PSD Hugo Carneiro tinha dito que Centeno “instrumentalizou o Banco de Portugal” para fomentar a sua “agenda própria e, eventualmente, política”. Miranda Sarmento confirmou que as previsões do Banco de Portugal foram sempre certeiras até 2024, depois deixaram de o ser. “Quem gosta de pensar o país e diz que se pensa pouco o país”, não terá qualquer problema em vir ao Parlamento para explicar as previsões erradas, afirma o ministro, numa “farpa” a Mário Centeno.

Pouco depois, Paulo Núncio, do CDS-PP, juntou-se ao PSD na chamada ao parlamento do “pensionista e reformado na Flórida” Mário Centeno para explicar o “erro colossal” que cometeu nas previsões orçamentais para 2025 e, também, para dar mais explicações sobre o “polémico negócio da nova sede” do Banco de Portugal. António Mendonça Mendes, deputado do PS, fez uma interpelação à mesa para recomendar a Paulo Núncio que leia “A interpretação dos sonhos” dada o seu constante enfoque em Mário Centeno nas suas intervenções políticas no parlamento.