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A Iniciativa Liberal acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de falta de liderança após dois anos de governação e pediu ao chefe do executivo que trace uma estratégia clara para o futuro e rejeite “números de propaganda” que associou ao PS.

No período de declarações políticas na Assembleia da República, o deputado liberal Jorge Miguel Teixeira recordou que no passado dia 2 de abril assinalaram-se dois anos de governação da AD — PSD/CDS, dia em que Luís Montenegro publicou um artigo de opinião no jornal Observador.

Montenegro nos dois anos de Governo: “Ambição sem estabilidade seria uma imprudência infantil”

Nesse artigo, considerou o liberal, o chefe do executivo “preferiu mil e duzentas palavras de balanço sem uma sombra de autocrítica” ao invés de “olhar de frente para os desafios do país”.

O deputado apontou problemas no setor da saúde, mas também lamentou “uma economia que cresce a um ritmo anémico”, somando-se o “brutal aumento do custo de vida” devido ao conflito no Irão.

“E sobre isto e as suas consequências, o senhor primeiro-ministro não foi capaz de falar. E aqui não estou a falar de medidas. Estou a falar de frontalidade, de liderança, de dizer o que é que está em causa, de explicar aos portugueses que podem vir tempos mais difíceis e que poderão contar com o Governo por este ou por aquele motivo para resolver e enfrentar estes problemas. Não se viu nada disso”, criticou.

Jorge Miguel Teixeira considerou que passados dois anos, o primeiro-ministro “devia ter feito — e ainda vai a tempo de fazer — um diagnóstico claro, traçar um caminho e seguir esse caminho de uma vez por todas”.

O deputado da IL lamentou que esta pareça ser uma “dificuldade cultural quase genética”, que associou aos governos do PS, considerando que o executivo não se pode limitar a “números de propaganda”.

“O Governo tem mesmo de perceber que não se pode continuar a fazer política da mesma maneira, foi isso que cansou os portugueses ao longo de tantos anos. Foi por isso que tivemos tantas transformações no nosso sistema político, é porque os portugueses estão cansados de foguetórios inconsequentes, estão fartos de propaganda”, alertou.

O liberal avisou que “se o Governo não for sério, se não encarar de frente as tarefas difíceis que tem para fazer, vai acabar como os governos que lhes antecederam”.