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Os Estados-Membros do sul da União Europeia (MED9), entre os quais Portugal, congratularam-se esta quinta-feira com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão e apelaram ao cumprimento do mesmo em todo o Médio Oriente, incluindo no Líbano.
Num comunicado conjunto, os países MED9 apelam a “uma desescalada sustentada” e ao cumprimento da trégua em toda a região, incluindo no Líbano, para se poder “avançar nas negociações rumo a uma paz duradoura e sustentável”.
“Preocupa-nos profundamente que, infelizmente, a violência continue em grande escala“, acrescentaram os 9 países (Chipre, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta e Portugal).
Os ministros dos Negócios Estrangeiros ou seus representantes dos MED9 reuniram-se durante o dia em Split, na Croácia, na presença da comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, para abordar a situação de instabilidade na região mediterrânica e debater questões de segurança marítima, económica e energética.
O conflito, refere o comunicado final, é “inaceitável” e “pode deteriorar-se ainda mais, com repercussões importantes para a paz e a segurança regionais e mundiais”.
As partes envolvida devem respeitar o Direito Internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas ou o Direito Internacional do Mar, “especialmente no que diz respeito à segurança marítima e ao respeito pela liberdade de navegação, incluindo a passagem em trânsito pelo Estreito de Ormuz”, adianta.
Numa altura em que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão entra no seu segundo dia, o exército do Kuwait indicou, esta quinta-feira, estar a ser alvo de um ataque de drones.
“As defesas aéreas das forças armadas estão atualmente a enfrentar ataques hostis de drones que estão a violar o espaço aéreo do país, visando várias instalações vitais”, indicou o exército daquele país do Golfo Pérsico na rede social X.
بيان رقم (58)
صادر عن المتحدث الرسمي لوزارة الدفاع
العقيد الركن سعود عبدالعزيز العطوانتتعامل حالياً الدفاعات الجوية في القوات المسلحة مع هجمات معادية من المسيرات اخترقت أجواء البلاد ، حيث استهدفت عدد من المنشآت الحيوية.#الجيش_الكويتي pic.twitter.com/X04DZEO10Q
— KUWAIT ARMY – الجيش الكويتي (@KuwaitArmyGHQ) April 9, 2026
Em Beirute e no sul e leste do Líbano, dezenas de bombardeamentos israelitas provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a deslocação dos seus negociadores a Islamabad.
Após ameaças de aniquilação feitas pelo Presidente Donald Trump, o Irão concordou esta semana com um frágil acordo de cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos e as duas partes têm negociações agendadas no Paquistão.
A Casa Branca anunciou que a delegação dos Estados Unidos será liderada pelo vice-Presidente norte-americano, JD Vance, acompanhado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump Jared Kushner, e indicou que as conversações devem ter início na manhã de sábado.
A parte iraniana deverá ser representada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
A agenda negocial deverá ser dominada pelo programa nuclear iraniano e de produção de mísseis de longo alcance, bem como o futuro do Estreito de Ormuz, onde passavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural do mundo, o apoio de Teerão a milícias na região, bem como mecanismos para evitar um novo conflito e as sanções internacionais contra a República Islâmica.
Os ataques israelitas e norte-americanos ao Irão, a partir de 28 de fevereiro, mataram Ali Khamenei e dezenas de altos oficiais e dirigentes do regime.
Os bombardeamentos marcaram o início de um conflito que depois incendiou todo o Médio Oriente, com o Irão a ripostar com ataques sobre Israel e o golfo Pérsico.