Depois de perder contacto com os controladores aéreos e ter voado em círculos — no que poderá ser um “voo fantasma ” — durante cerca de duas horas, uma aeronave despenhou-se na segunda-feira na Bolívia, desencadeando uma operação de emergência numa zona de floresta de Cochabamba. A bordo seguiam duas pessoas — piloto e copiloto — que morreram no acidente e foram mais tarde encontrados. O jato, um Cessna Citation, pertencia ao atual ministro boliviano do Desenvolvimento Produtivo, Oscar Mario Justiniano, que não se encontrava a bordo.
O aparelho perdeu a comunicação pelas 8h47 (13h47 em Lisboa), cerca de 30 minutos após a descolagem do Aeroporto Internacional de El Alto, em La Paz, com destino a Santa Cruz. Dados do Flightradar indicam que o aparelho entrou depois num padrão de voo circular prolongado, antes de começar a perder altitude rapidamente e desaparecer do radar, pelas 10h57 locais (15h57 em Lisboa). A Direção Geral de Aeronáutica Civil do país (DGAC), citada pela Agência Boliviana de Informação (ABI), confirmou que foi detetada atividade anómala no voo por volta das 9h locais.
As autoridades abriram entretanto um inquérito para apurar as causas do acidente. Uma das hipóteses em análise é a de um chamado “voo fantasma” — cenário em que os pilotos perdem a consciência em pleno voo, enquanto a aeronave continua a voar com o piloto automático. A autópsia revelou que ambos morreram de choque hipovolémico, provocado por hemorragias externas resultantes de múltiplos ferimentos e fraturas, segundo o procurador Edwin Blanco citado pelo jornal local Los Tiempos.
O ministro das Obras Públicas, Mauricio Zamora, apontou a despressurização da cabine como uma das principais hipóteses, admitindo que os pilotos possam ter perdido a consciência devido à falta de oxigénio. “A hipótese é que, com base nos movimentos da aeronave e na perda de comunicação, teorizamos que houve uma despressurização da cabine, falta de oxigénio e os pilotos perderam a consciência. Essa é uma das teorias; é por isso que o avião começou a girar até cair”, afirmou Zamora, segundo o mesmo jornal.
Também o presidente da Associação Nacional de Pilotos Civis, Cristian Lemcke, afirmou à BoliviaTV que a hipótese da despressurização ganha força devido à ausência de comunicação com a torre de controlo e à experiência da tripulação, fatores que reduzem a probabilidade de se ter tratado de um erro humano.
As caixas negras do avião serão enviadas para especialistas no estrangeiro, “que dispõem da tecnologia necessária para a extração e análise das informações, contribuindo assim para o esclarecimento dos factos”, informou a DGAC.
[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui o segundo episódio, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]