O procurador-geral da Bolívia anunciou a abertura de uma investigação ao ex-presidente do país, Evo Morales, que acusa de estar envolvido num caso de tortura e assassinato de cidadãos europeus pelas autoridades bolivianas.

Foi uma operação policial ocorrida em 2009, num hotel da cidade de Santa Cruz, que deu origem a esta investigação. Os agentes da polícia boliviana mataram três cidadãos europeus: um croata-boliviano, um irlandês e um romeno-húngaro. Outros cidadãos europeus (um húngaro e outro croata-boliviano) foram detidos durante a operação policial e alegam ter sido torturados.

O governo de Evo Morales, que liderou a Bolívia entre 2006 e 2019, alegou então que o cidadão croata-boliviano morto, Eduardo Rózsa Flores, estava a liderar esforços para criar um movimento separatista. Para tal, contaria com o financiamento da elite económica de Santa Cruz. Na altura, Morales revelou publicamente que tinha partido de si a ordem de detenção dos cidadãos estrangeiros, que acusou de serem “mercenários”.

José Armando Urioste anunciou uma investigação preliminar a Morales apenas uma semana depois de ter tomado posse como procurador-geral da Bolívia. Urioste enviou uma carta ao supremo tribunal do país em que revela que as autoridades estão a recolher provas contra Morales e o seu ex-vice-presidente Álvaro García Linera pelos alegados crimes de homicídio, abuso, tortura e detenção ilegal, noticia o The Guardian.

Esta investigação foi anunciada depois de dois políticos de direita, Tomasa Yarhui e Rodrigo Antonio, terem apresentado uma queixa formal recentemente. Em 2021, a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos concluiu que o governo boliviano violou os direitos humanos, depois de membros das famílias das vítimas e os sobreviventes terem denunciado o caso.

Evo Morales está, atualmente, clandestino devido a dois mandados de captura que as autoridades bolivianas emitiram em seu nome, ambos baseados em acusações que o ex-presidente nega. Um destes processos está relacionado com o papel que, alegadamente, teve nos protestos que paralisaram a Bolívia durante 53 dias, no início do ano. O outro processo acusa-o de tráfico de seres humanos, em concreto uma menor com quem tem hoje, alegadamente, uma filha.