O suspeito de arremessar um “cocktail molotov” durante uma manifestação antiaborto e contra a eutanásia, no final de março, vai ficar em prisão preventiva, avançou a SIC Notícias e confirmou o Observador junto de fonte judiciária. Apesar de ter sido presente ao juiz de instrução do Tribunal Central de Investigação Criminal ainda na quarta-feira, as medidas de coação só foram conhecidas esta quinta-feira.

Segundo a decisão a que o Observador teve acesso, o tribunal entende que “conforme requerido pelo Ministério Público” existem fortes indícios de que o designer e antigo professor tenha cometido vários crimes graves relacionados com terrorismo, ainda que na forma tentada — que serão agravados pela posse de arma proibida, pelo crime de incêndio ou explosão e ofensas à integridade física.

A medida mais gravosa de coação também se adequa, segundo o tribunal, por estarem em causa vários riscos concretos, como perigo de fuga (Nelson passou muitos anos em Nova Iorque), obstrução da investigação e a possibilidade de cometer mais crimes.

A defesa vai recorrer da medida de coação, anunciou entretanto o advogado do arguido, numa declaração escrita remetida à agência Lusa. Ricardo Sá Fernandes admite que a conduta do seu cliente “é muito censurável”, o que o próprio reconhece, mas sublinha que a ação não tem a “conotação ideológica” nem as “intenções concretas” que lhe têm sido atribuídas.

A defesa do arguido considerou que entre março e esta semana “não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que” o caso “foi submetido”. “Quando os tribunais atendem a essa pressão, é a Justiça que sofre, o que lamento que tenha acontecido”, afirmou.

Professor, designer, “muito ativista” e militante do PS (agora suspenso). Nelson, detido por atirar cocktail molotov na Marcha pela Vida

O Observador sabe que o militante do PS, antigo professor e designer gráfico é suspeito de crimes de terrorismo, ofensas à integridade física grave qualificada, detenção e uso de arma proibida e incêndio. Foi detido em casa, na zona de Lisboa, esta terça-feira.

O caso remonta a 21 de março, quando um engenho incendiário improvisado, vulgarmente designado por “cocktail molotov”, foi lançado contra participantes da “Marcha pela Vida”, uma manifestação contra o aborto e a eutanásia, que decorria frente à escadaria da Assembleia da República, em Lisboa.

O engenho — uma garrafa com combustível — embateu no chão, mas não deflagrou nem fez feridos. “Algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável, tendo ficado com a roupa impregnada com uma substância que apresentava forte odor a gasolina”, revelou a PSP, que fez a detenção do suspeito no local. Na segunda-feira seguinte, Nelson V. saiu em liberdade, mas ficou sujeito a apresentações periódicas às autoridades, indiciado pelo crime de detenção de arma proibida. Além disso, também ficou proibido de “frequentar as imediações da Assembleia da República”.

Notícia atualizada às 13h20 desta quinta-feira com mais detalhes da decisão do tribunal e às 14h46 com declarações da defesa do arguida