Há uma semana, antes de o Arsenal receber o Bournemouth e o Manchester City visitar o Chelsea, os gunners tinham a possibilidade de ficar com 12 pontos de vantagem na liderança da Premier League, ainda que também com um jogo a mais. Uma semana depois, na antecâmara do encontro entre as duas equipas, os citizens tinham a possibilidade de ficar a três pontos da liderança da Premier League e com um jogo em atraso. Uma semana, um mundo de diferença. 

Este domingo, no Etihad, disputava-se bem mais do que um dos jogos mais importantes da temporada — disputava-se verdadeiramente a corrida pela Premier League. Depois do empate no Emirates na primeira volta e da vitória dos citizens na recente final da Taça da Liga, Arsenal e Manchester City sabiam que o resultado deste fim de semana podia ser decisivo para o primeiro título de uns desde 2004 ou o quinto de outros no espaço de seis anos.

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“Jogar para o empate? Não vamos passar um segundo a pensar nisso. Preparamos todos os jogos para ganhar, é isso que somos e vamos continuar a fazê-lo. A nossa equipa tem de nos dar todas as ferramentas, todos os elementos de que precisamos para ir lá e ganhar. Vamos ter um adversário muito, muito forte, sabemos o que teremos pela frente. Mas andamos a fazer isto há nove meses em todos os contextos, já jogámos contra eles muitas vezes e sabemos o que temos de fazer. A nossa mentalidade é uma parte muito importante disso, melhorámos muito nesse aspeto”, disse Mikel Arteta na antevisão da partida e dias depois do apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões às custas do Sporting.

“Se perdermos está tudo acabado. Se pudéssemos comprar confiança num supermercado comprávamos imediatamente. É um dos aspetos mais importantes e a nossa confiança é boa, estamos prontos. Há um mês, como perdemos pontos em alguns momentos, pensei que não estaríamos nesta posição. Mas vimos o calendário e dissemos ‘ok, jogamos contra o Arsenal em casa e temos uma oportunidade’. São seis pontos. Não é uma distância curta, mas depende de nós. Os adeptos esgotaram as bancadas e está tudo perfeito para o jogo”, explicou Pep Guardiola, que durante a temporada chegou a defender que o título estava praticamente entregue.

Assim, Mikel Arteta começava por deixar Viktor Gyökeres no banco, apostando em Kai Havertz como referência ofensiva, e lançava Eze e Madueke nas alas, já que não contava com os lesionados Saka e Mikel Merino. Já Pep Guardiola, que também não tinha Rúben Dias e Gvardiol, apostava em Semenyo, Rayan Cherki e Jérémy Doku nas costas de Haaland, com Bernardo no meio-campo e Matheus Nunes na direita da defesa.

O Manchester City começou claramente melhor, colocando as linhas muito subidas no meio-campo contrário e obrigando o Arsenal a ativar desde logo um modelo de maior organização defensiva. Os citizens tiveram as primeiras aproximações à baliza, com Cherki a acertar no poste com um remate prensado (4′), e nem o susto que Mosquera provocou em Donnarumma com um cabeceamento por cima (6′) evitou o que já parecia previsível: à passagem do quarto de hora inicial, Cherki pegou na bola à entrada da área, passou por vários adversários e atirou rasteiro para abrir o marcador (16′), num golo que fez levantar o Etihad.

Logo a seguir, porém, aconteceu o que não era nada previsível. Num erro muito pouco comum, Donnarumma foi demasiado otimista com a bola nos pés e acabou intercetado por Kai Havertz, que aproveitou para se estrear a marcar na Premier League esta temporada e empatar o jogo (18′). Os gunners procuraram estabilizar depois do golo do alemão, beneficiando ainda de algum ascendente nos minutos seguintes, mas os citizens recuperaram a superioridade e ainda poderiam ter marcado através de Marc Guéhi, que cabeceou para David Raya defender (33′). Ao intervalo, porém, ainda estava tudo empatado.

Mikel Arteta mexeu logo no início da segunda parte e trocou Madueke, que esteve sempre demasiado apagado, por Gabriel Martinelli. O Manchester City voltou a começar melhor, com Haaland a acertar no poste na sequência de uma confusão depois de um canto (48′) e Doku a rematar rasteiro para Raya defender (52′), e o Arsenal precisou de demasiado tempo para assentar e recuperar espaço para lá da linha do meio-campo.

Donnarumma redimiu-se do erro da primeira parte e evitou a reviravolta com uma dupla defesa na cara de Kai Havertz e Martinelli (60′) e Eze acertou no poste de fora de área logo a seguir (61′), num único minuto que agitou as circunstâncias do jogo. Já dentro da última meia-hora, porém, apareceu o inevitável: Nico O’Reilly acelerou na esquerda e combinou com Doku antes de cruzar para a área, onde Rodri falhou o pontapé mas Haaland fugiu a Gabriel Magalhães para rematar e recuperar a vantagem (65′).

O mesmo Gabriel Magalhães ficou perto de empatar após livre na esquerda, cabeceando contra Nico O’Reilly e vendo a bola acertar novamente no poste (73′), e Mikel Arteta reagiu com três substituições separadas por cerca de dez minutos, lançando Ben White e Trossard antes de colocar Gyökeres para os últimos instantes. Até ao fim, e com Pep Guardiola a fazer alterações apenas nos derradeiros minutos e Havertz a cabecear por cima nos descontos (90+5′), já nada mudou.

O Manchester City aproveitou a oportunidade e venceu o Arsenal no Etihad para ficar a três pontos da liderança da Premier League com cinco jornadas por disputar e tendo ainda um jogo a menos. Guardiola disse que era melhor ir ao supermercado comprar confiança, mas quando se tem a máquina Haaland em campo não é preciso gastar dinheiro em mais nada.