O México lançou uma investigação sobre um acidente no domingo, perto da fronteira de Chihuahua, com quatro vítimas mortais, por haver uma possível violação das leis da Constituição e da segurança nacional do país, com a Procuradoria-Geral a contradizer-se.
O acidente envolveu dois agentes da Central Intelligence Agency (CIA) e dois membros da Agencia Estatal de Investigaciones Chihuahua (AEI) que seguiam num carro que saiu da estrada, caiu numa ravina e explodiu, conta o The Intercept. Inicialmente, as vítimas norte-americanas foram identificadas como membros da Embaixada dos EUA, pelo embaixador americano Ronald Johnson.
Lamentamos profundamente la trágica pérdida de dos miembros del personal de la Embajada de los Estados Unidos, del Director de la Agencia Estatal de Investigación (AEI) de Chihuahua y de un elemento de dicha agencia en este accidente. Reconocemos su dedicación y sus incansables…
— Embajador Ronald Johnson (@USAmbMex) April 19, 2026
Apenas nesta terça-feira é que os mortos foram reconhecidas como agentes dos serviços secretos dos EUA, por duas “pessoas familiarizadas com o assunto”, sob condição de anonimato, avançou o Washington Post. O jornal informou que a CIA ainda não comentou a situação.
Alegadamente, o acidente ocorreu depois de uma operação conjunta para desmantelar um laboratório de droga clandestino, afirmou o Los Angeles Times. Para representantes do México e dos EUA poderem colaborar, é necessária uma aprovação prévia do governo federal, como explicou a BBC. No entanto, a Presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na segunda-feira que “desconhecia qualquer colaboração direta entre o estado de Chihuahua e os funcionários da Embaixada dos EUA”, frisou a CNN.
“Se esta investigação confirmar que houve uma operação conjunta, as sanções correspondentes terão de ser analisadas”, referiu Sheinbaum, numa declaração mencionada no The Guardian.
O Procurador-geral de Chihuahua, César Jáuregui Moreno, revelou no mesmo dia que a Presidente não foi informada da participação de agentes norte-americanos na operação porque eles não estiveram envolvidos: “Os instrutores da Embaixada dos Estados Unidos, que estavam em Polanco, a dar formação sobre o manuseio de drones tinham um voo na manhã de domingo na cidade de Chihuahua e pediram boleia” aos agentes mexicanos, relatou El Universal.
Esta declaração contradiz uma afirmação anterior do gabinete do procurador-geral que anunciou que os norte-americanos morreram quando voltavam “de uma operação para desmantelar laboratórios clandestinos”, comunicou o The Guardian.
Já na terça-feira, a Presidente do México confirmou que as vítimas estavam a colaborar: “Até o momento, as informações que temos indicam que elas estavam, de facto, a trabalhar juntas. Portanto, a Procuradoria-Geral da República deve conduzir uma investigação completa para determinar se houve violação da Constituição ou da Lei de Segurança Nacional, e as autoridades de Chihuahua devem fornecer todas as informações verídicas”, citado no El Heraldo.
O acidente fatal ocorre num contexto de crescente pressão do presidente Donald Trump sobre o México para que tome mais medidas contra os cartéis, já tendo ameaçado o país com ações unilaterais para combater o tráfico de droga.
Trump declara que EUA vão “iniciar ataques terrestres” contra cartéis de droga
Texto editado por Dulce Neto
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]