Está confirmadíssimo: a Smart vai trazer de volta o espírito do pequeno ForTwo na forma do #2. E não será preciso esperar muito para perceber como é que a marca vai reinventar este ícone da mobilidade urbana, uma vez que a versão de produção do Concept #2 será revelada na próxima edição do Salão de Paris, em Outubro.
Recorde-se que o ForTwo não só foi o modelo mais vendido na história da Smart, como se impôs como uma referência no segmento dos citadinos de dois lugares e foi um símbolo da mobilidade urbana durante mais de duas décadas. Produzido entre 1998 e 2024, o ForTwo foi comercializado em mais de 45 países ao longo de três gerações, sendo que ainda antes de 2015 já tinha superado a barreira de 1,7 milhões de unidades. É com esta herança que se abre caminho para o seu regresso na nova era da marca, detida em partes iguais pela Geely e pela Mercedes, com a revelação do Concept #2, o protótipo que vai dar origem ao sucessor directo do ForTwo e que tem principalmente na mira a clientela europeia.
À semelhança do que acontece com os Smart #1, #3 e o recente #5, também o #2 sai da pena do gabinete de design capitaneado pela Mercedes, ao passo que a tecnologia e a produção são asseguradas pelos chineses da Geely, com fabrico na China. Segundo a marca, o concept de proporções ultracompactas e soluções inteligentes de aproveitamento do espaço encontra-se na fase final de desenvolvimento, sendo de esperar que a versão de série pouco difira do protótipo agora revelado.
▲ A evolução do icónico Smart de dois lugares
Projectado à luz das novas aspirações tecnológicas, ambientais e de conectividade, o Concept #2 assenta numa plataforma específica para veículos eléctricos de pequenas dimensões, denominada Electric Compact Architecture (ECA). Será esta base que lhe permitirá, à partida, maximizar o espaço para dois a bordo, mantendo um comprimento abaixo dos 3 metros. Com 2,792 m de comprimento, o concept é um pouco maior do que o maior dos ForTwo – a versão Brabus de 2016 media 2,740 m. Será também esta nova arquitectura que lhe permitirá oferecer a função V2L (Vehicle‑to‑Load), ou seja, alimentar equipamentos externos a partir da bateria do Smart #2. Dados quanto a esta não foram ainda divulgados, sabendo-se apenas que o pequeno citadino irá homologar perto de 300 km de autonomia em WLTP, o que – a confirmar-se – representará mais que duplicar o alcance entre visitas ao posto de carregamento do EQ ForTwo descontinuado em 2024. Ainda segundo o construtor, o novo eléctrico do segmento A vai aceitar carga rápida em corrente contínua (DC) a uma potência que (ainda) não foi anunciada, mas que lhe permitirá repor energia de 10 a 80% em 20 minutos.
▲ O Smart #2 está na recta final de desenvolvimento
Quanto a motorizações também nada se sabe, excepto que o sucessor do ForTwo continuará fiel à tracção traseira do modelo original (conhecida pelo seu comportamento “vivo”), com o motor eléctrico a ser montado atrás do habitáculo. Fica ainda a promessa que o raio de viragem estará em linha com o ForTwo de 2015, ou seja, bastam 6,95 metros para girar 180 graus, o que facilita a manobrabilidade em cidade.
No que respeita ao interior, há que aguardar. É expectável que, além da optimização do espaço, o futuro #2 introduza uma nova geração de interfaces digitais, em linha com os restantes modelos da marca e indo ao encontro das necessidades de conectividade dos condutores mais urbanos. Já em matéria de rivais, pouco ou nada se vislumbra no horizonte, na medida em que, ao contrário de outras alternativas de micromobilidade, como os quadriciclos pesados, o sucessor do ForTwo continuará a posicionar-se como um automóvel citadino (e não um microcarro). Os preços ainda não foram anunciados, mas o posicionamento do modelo na base da gama implica necessariamente valores abaixo do Smart #1, reforçando a ambição da marca de voltar a conquistar as estradas das cidades europeias.