O rapper norte-americano Kid Cudi anunciou esta segunda-feira ter excluído M.I.A da sua digressão nos EUA e no Canadá após a cantora ter feito várias declarações polémicas durante um concerto. A artista já reagiu, dizendo que o intuito das suas palavras foi distorcido, no que considera ser “obra de Satanás”.
Em causa estão as tiradas que M.I.A fez num concerto em Dallas a 2 de maio, enquanto uma das artistas de abertura que Kid Cudi convidou para a digressão Rebel Ragers, iniciada a 28 de abril e com a última data marcada para 27 de junho.
No palco, a cantora britânica de 50 anos iniciou um monólogo com várias tiradas incendiárias, escrevem a Variety e a Pitchfork. “Já fui alvo de cancelamento por muitas razões. Nunca pensei que fosse alvo de cancelamento por ser uma eleitora republicana de pele castanha“, afirmou, referindo-se ao facto de ter origem tâmil, do Sri Lanka.
Além disso, a artista fez uma provocação dizendo que não podia tocar a canção Illygal — assente num trocadilho entre “Illegal” (“Ilegal”) e “Gal” (“Rapariga”) —, mas que “alguns” podiam “estar na plateia”, algo interpretado como podendo haver imigrantes ilegais a assistir ao concerto.
NEW: M.I.A. has been removed from Kid Cudi’s tour after going on strange republican rants and calling people in the audience “illegal” pic.twitter.com/PFPN6T5P1U
— Joey (@gothamhiphop) May 4, 2026
Perante os apupos, M.I.A retorquiu: “Olhem, eu sou ilegal. Metade da minha equipa não está aqui porque não conseguiu o visto, ok? Quero que saibam isso. Não dêem ouvidos ao que os bots dizem na Internet, está bem? Quando se chega a este ponto, fica-se sempre… devemos estar acima da política”. O momento foi captado por vários espetadores e daí espalhou-se pelas redes sociais.
At the Kid Cudi concert with MIA she started randomly started talking about how she’s a Republican & how at that concert there’s probably a bunch of illegals that she’s having to play too. People started booing her & quite a few left & asked for a refund.She ended her career. pic.twitter.com/nc9w4QpiD9
— Suzie rizzio (@Suzierizzo1) May 4, 2026
No rescaldo deste incidente, Kid Cudi recorreu ao Instagram para anunciar que ia excluir M.I.A do resto da digressão. “Depois dos últimos concertos, fui inundado com mensagens de fãs que ficaram incomodados com as suas tiradas. Para mim, isto é muito decepcionante e não vou ter ninguém na minha digressão a fazer comentários ofensivos que incomodem os meus fãs”, afirmou.
O artista frisa também que tinha pedido de antemão para que a cantora evitasse entrar em controvérsias. “Eu pedi à minha equipa para enviar um aviso à equipa dela antes de começarmos a digressão, a indicar que não queria nada ofensivo nos meus espetáculos, porque já sabia como as coisas funcionavam, e garantiram-me que tudo tinha ficado claro”, lamenta.
A cantora reagiu entretanto à sua exclusão da digressão, numa publicação feita inteiramente em letra capitalizada na rede social X, começando por recordar o que já tinha afirmado em palco: “Comecei a introdução da canção com a afirmação de que sou ‘Illygal’ e disse que a minha equipa ainda não tinha obtido vistos. Depois toquei uma canção cuja letra dizia ‘Que se lixe a lei’, algo em que ainda acredito: se a lei é injusta, que se lixe”.
“Não distorçam as minhas palavras. Isso é obra de Satanás“, afirmou, lembrando ter escrito canções como Borders e Paper Planes “antes de acharem que os direitos dos imigrantes eram fixes”.
I WROTE ILLYGAL ON THE MAYA LP A SONG FROM 2010.
I STARTED THIS INTRO TO THE SONG WITH THE STATEMENT SAYING I'M ILLYGAL, AND I SAID MY TEAM HASN'T GOTTEN VISAS YET. THEN PLAYED A SONG THAT HAD LYRICS SAYING "FU&% THE LAW", WHICH I STILL BELIEVE, IF THE LAW IS UNJUST F@%& IT.— M.I.A. ⊕ II II II (@MIAuniverse) May 4, 2026
“Tive estas lutas sozinha, sem a ajuda de milhões de fãs a apoiar-me. Não preciso que esta era de sinalização de virtude apague de repente toda a vida que levei. Jesus era um imigrante e um rebelde. Não peço desculpa aos críticos, aos perversos e aos ignorantes, pois esses são espíritos que temos de superar nas nossas vidas e neste mundo”, afirmou, apelando a que as pessoas vão ouvir o seu mais recente álbum, M.I.7, lançado em abril e o primeiro a ter um teor abertamente cristão desde que a cantora anunciou a sua conversão ao Cristianismo em 2022.
A cantora — cujo nome verdadeiro é Mathangi Arulpragasam — tem sido acompanhada de controvérsias ao longo de toda a sua carreira em vários quadrantes políticos, desde o seu ativismo pelos direitos humanos dos refugiados e ao seu apoio a figuras como Edward Snowden e Julian Assange até às teorias da conspiração propagadas quanto às vacinas da covid-19, chegando a afirmar preferir morrer a ser vacinada.
Não obstante esta expulsão da digressão de Kid Cudi, M.I.A tem pelo menos um concerto marcado para este verão, marcando presença no festival Vodafone Paredes de Coura no dia 14 de agosto. Confirmando-se a vinda, trata-se do regresso ao evento onde se estreou em Portugal, em 2007. Desde então, atuou mais quatro vezes no nosso país, a última das quais no NOS Alive de 2022.
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