Era o dérbi do haramball mais esperado de sempre, com o tão aguardado bilhete para Budapeste ao alcance de Arsenal e Atl. Madrid. Quis o destino que, depois de se terem enfrentado na fase de liga da Liga dos Campeões, num jogo que ficou conhecido como o dérbi do haramball, gunners e colchoneros se enfrentassem no jogo de acesso à final da competição mais importante do futebol europeu. A eliminatória voltou a ganhar contornos de haramball, expressão que deriva da postura mais defensiva e teoricamente conservadora das equipas de Mikel Arteta e Diego Simeone, ao contrário, por exemplo, do que acontece com Bayern Munique e PSG, as outras formações que lutam para estar na Puskás Aréna no próximo dia 30. Foi isso que saltou à vista na primeira mão, com o empate a prevalecer depois de duas grandes penalidades convertidas por Viktor Gyökeres e Julián Alvarez (1-1).

O Homem da Máscara tem tudo menos uma equipa de ferro: Arsenal empata com Atl. Madrid e deixa tudo em aberto para Londres

Foi precisamente pelo sueco ex-Sporting que passou a antevisão ao duelo do Emirates, com o avançado a analisar a primeira temporada na Premier League. “Pressão? Sim, é disso que se trata o futebol. Tens de continuar sempre, aconteça o que acontecer. Tens de continuar a tentar porque há tantos jogos e vai haver sempre desafios ao longo da época. Tens de lidar com eles da melhor forma possível e fazer melhor no próximo jogo. 20 golos? Atingir isso é uma coisa boa, mas o mais importante é chegar a este mês na luta. Vamos ter de fazer o nosso trabalho e ver onde isso nos leva este mês. Quando marco e ganhamos, é claro que é uma satisfação e uma sensação fantástica. Estamos nesta posição agora por causa do que fizemos muito bem ao longo da época. Agora é quando tudo se decide e tudo importa para nos sairmos bem nestes jogos e conseguirmos ultrapassar a linha. Tem sido incrível o que temos feito até agora”, explicou Gyökeres, que viu a sua equipa chegar a esta segunda mão como a única equipa invicta na prova.

“Por mais que os treinadores tentem encontrar soluções, o futebol decide-se dentro do relvado pelos jogadores. Podemos gerir as suas emoções. A experiência e o tempo trazem mais serenidade — que não é passividade —, e a paz necessária para enfrentar estes jogos. O que noto é que, perante uma meia-final, procuram sempre um título fora do comum. No fundo, quem jogar melhor e potenciar as suas armas estará mais perto de vencer. Voltamos ao mesmo: é preciso jogar com a intensidade que o jogo exige e deixar que a qualidade dos jogadores se imponha. Temos muita fé e estamos convictos do que queremos. Depois, certamente, já não dependerá de nós. É trabalhar. As ideias estão bem definidas e queremos fazer um grande jogo. É este tipo de jogos importantes. Alvarez? Conhece bem a Liga inglesa e esperamos que possa fazer um grande jogo”, perspetivou El Cholo, que só tinha ficado em branco em apenas um jogo desta Champions, frente ao… Arsenal, na fase de liga.

Com Kai Havertz de volta à melhor condição física, Mikel Arteta optou por manter Viktor Gyökeres na frente de ataque, depois de o sueco ter marcado dois golos na vitória frente ao Fulham. Por seu turno, Myles Lewis-Skelly foi a grande novidade no meio-campo, jogando ao lado de Declan Rice e atrás de Eberechi Eze. Nas alas atuaram Bukayo Saka e Leandro Trossard, com Ben White a ganhar o lugar a Cristhian Mosquera e Riccardo Calafiori a Piero Hincapié nas laterais. Já Julián Alvarez voltou ao onze de Diego Simeone juntamente com Giuliano Simeone, que também esteve lesionado, com o argentino a apresentar-se praticamente com a equipa que entrou em campo na primeira mão. Apesar dos problemas físicos, Dávid Hancko manteve-se no onze, com Robin Le Normand a perfilar-se como a única novidade.

O apito inicial de Daniel Siebert trouxe um Arsenal ao ataque e um Atl. Madrid a recuar as linhas e bastante concentrado na missão defensiva. Ainda assim, as primeiras tentativas de perigo pertenceram aos espanhóis, que tiveram duas incursões seguidas às imediações da área londrina, mas os remates de Alvarez (8′) e Simeone (11′) não resultaram em golo. Na resposta, Saka ganhou espaço na direita e cruzou para o remate de Trossard, Antoine Griezmann chegou a do corte, os gunners recuperaram e, de fora da área, Gabriel Magalhães atirou ao lado (19′). A tendência do jogo manteve-se na reta final da primeira parte, até que, em cima do intervalo, Gyökeres teve espaço na direita para desequilibrar, cruzou para o segundo poste, Marc Pubill não conseguiu cortar e permitiu que a bola chegasse a Trossard, que desferiu um remate cruzado para defesa de Jan Oblak. Contudo, a bola sobrou para a frente do guarda-redes, onde Saka apareceu a aproveitar as hesitações da defesa adversária para inaugurar o marcador (45′).

O intervalo fez bem ao Atlético que, logo no primeiro minuto da segunda parte, ficou muito perto de marcar, depois de Giuliano Simeone se ter isolado e ter ultrapassado David Raya, mas Gabriel Magalhães fez o corte antes do remate (46′). Já com Nahuel Molina (saiu Ademola Lookman), Alexander Sorloth (Robin Le Normand), Johnny Cardoso (Giuliano Simeone), Martin Odegaard (Bukayo Saka), Piero Hincapié (Riccardo Calafiori) e Noni Madueke (Eberechi Eze) em campo, Viktor Gyökeres apareceu com perigo dentro da área colchonera e, com tudo para marcar, desviou por cima, protagonizando o falhanço da noite (66′). Diego Simeone respondeu com Álex Baena e Thiago Almada nos lugares de Antoine Griezmann e Julián Alvarez à procura do empate, mas o Arsenal acabou por aguentar num final marcado pela confusão e pelo… desaparecimento de bolas (1-0, 2-1).