O navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus chegou esta segunda-feira ao Porto de Roterdão, nos Países Baixos, após uma viagem de sete semanas e mais de 13 mil quilómetros. A bordo do MV Hondius permaneciam ainda 25 tripulantes e dois profissionais de saúde, bem como o corpo de uma passageira alemã que morreu devido à infeção por este vírus raro. O navio será submetido a um processo completo de limpeza e desinfeção, relata o Le Monde.
Entre as pessoas que permaneceram a bordo do MV Hondius, encontram-se 17 de nacionalidade filipina, quatro holandesas, quatro ucranianas, uma russa e uma polaca. Parte cumprirá isolamento domiciliário, enquanto outras permanecerão em quarentena em instalações preparadas pelas autoridades portuárias locais, de acordo com o jornal francês. Segundo a Reuters, ainda não é claro se os tripulantes estrangeiros permanecerão nesses espaços durante o período de 42 dias de isolamento recomendado.
Operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, o MV Hondius transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades quando partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde, tendo realizado paragens na Antártida e noutros pontos ao longo do percurso. Entre 10 e 11 de maio, 118 pessoas foram retiradas e repatriadas do navio de cruzeiro nas Ilhas Canárias.
O surto de hantavírus foi comunicado pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde a 2 de maio. Até agora, foram confirmados em laboratório oito casos de infeção e registaram-se três mortos — um homem alemão e um casal holandês, que as autoridades de saúde acreditam ter sido o primeiro a ter sido exposto ao vírus durante uma viagem à América do Sul, escreve a ABC News.
O caso mais recente de infeção por hantavírus foi registado no Canadá, num passageiro que se encontrava a bordo do MV Hondius, indicaram as autoridades no domingo. O cidadão foi repatriado de Tenerife para o seu país de origem numa aeronave com 12 tripulantes portugueses, mas não há “qualquer evidência de transmissão secundária associada a este voo”, anunciou a Direção-Geral de Saúde.
Entretanto, a mulher francesa de 65 anos, que terá desenvolvido sintomas de infeção por hantavírus durante o voo de repatriamento, foi internada em estado crítico num hospital de Paris, de acordo com o Le Monde. Nos Países Baixos, encontram-se em condição estável uma pessoa de nacionalidade holandesa e outra britânica, tendo sido retiradas de urgência do MV Hondius.
Já um norte-americano repatriado para os Estados Unidos da América, considerado um caso inconclusivo, encontra-se assintomático e apresenta resultados laboratoriais contraditórios, com um teste positivo e outro negativo realizados por dois laboratórios distintos, estando atualmente a ser submetido a novos testes, segundo a Organização Mundial de Saúde.
A organização das Nações Unidas acredita que “possam ocorrer novos casos entre passageiros e tripulantes expostos antes da implementação das medidas de contenção”, mas espera que o risco de transmissão seja menor após o desembarque do navio, segundo o jornal francês.