A passagem pelo quadro de pares não correu da melhor forma, com uma derrota em dupla com o chinês Zhizhen Zhang frente ao finlandês Harri Heliövaara e ao inglês Harry Patten por 6-3 e 6-3, o foco passava a estar ainda mais no quadro de singulares. À semelhança do que acontecera no ano passado, Nuno Borges chegara à terceira ronda de Roland Garros depois do triunfo diante de Miomir Kecmanovic, tendo agora pela frente Andrey Rublev, 13.º do ranking ATP que esteve largos meses no top 10 e que, nos melhores dias, pode bater-se com qualquer jogador. Não era uma tarefa fácil, havia mais história para tentar fazer.

Nuno Borges eliminado na primeira ronda de pares da Roland Garros

“Que grande vitória mais uma vez. Estou muito, muito, muito contente pela minha exibição. Não comecei da melhor maneira, mas depois consegui subir muito o nível, tanto a servir como a responder. Estou muito orgulhoso por poder estar aqui na terceira ronda mais uma vez e ainda com uma oportunidade para poder chegar ainda mais longe do que o ano passado. É em Roland Garros e é nos Grand Slams que queremos estar a jogar bem. Felizmente tenho conseguido fazer muito bons jogos a este nível. Dá-me bastante confiança e fico muito feliz por conseguir se singrar aqui nestes grandes palcos”, comentara o português.

O calor que não queimou a história: Nuno Borges vence Kecmanovic e é o primeiro português a chegar duas vezes à 3.ª ronda de Roland Garros

“Conheço bem o Rublev, já joguei com ele várias vezes e ainda não consegui ganhar-lhe. É um jogador que me deixa bastante desconfortável, a maneira de jogar realmente causa-me bastante transtorno. Sinto que a terra batida me pode ajudar um bocadinho. Mas ele é um jogador muito experiente já, não só em terra batida mas em Grand Slams. É um desafio muito grande mas estou muito entusiasmado para isso”, frisara Nuno Borges, que perdera os quatro jogos realizados contra o russo incluindo dois neste ano de 2026. Mais uma vez, as odds estavam contra o português, que tinha mais uma montanha para subir nesta terceira ronda.

O encontro começou com um Nuno Borges irregular no primeiro serviço, o que lhe valeu um primeiro break salvo a abrir e mais três breaks salvos logo de seguida. Seguiram-se quatro partidas ganhas em branco, mais um momento em que Andrey Rublev teve dois breaks não concretizados e uma fase que podia ter alterado a história do set inicial com 5-4 em que Nuno Borges esteve na frente por 30-0 sem chegar a ponto de break. Foi aí que, quando tudo apontava para um parcial decidido no tie break, o russo conseguiu ser finalmente eficaz e quebrou o serviço do português, fechando de seguida o 7-5 depois de 50 minutos de jogo.

Apesar de tudo, foi um set “normal”. A partir daí, entrou em cena tudo o que podia acontecer de mais atípico: após vencer o primeiro jogo com apenas um ponto perdido, Nuno Borges quebrou o serviço de Rublev logo a seguir para o 2-0, sofreu o break de seguida, respondeu com novo contra break para o 3-1 e voltou a perder o seu próprio serviço. Só mesmo aí o encontro começou a estabilizar, apesar de uma oportunidade de ouro que o maiato perdeu de fazer o break que lhe permitiria depois fechar o set no seu serviço. Não conseguiu aí, não mais conseguiu e as decisões acabaram por ir para o tie break, com Nuno Borges a fazer o primeiro ponto mas Rublev a vencer os cinco seguintes com dois ases pelo meio antes de fechar o segundo set com 7-2.

Nuno Borges passou para o balneário, tentou manter o jogo agressivo de resposta e entrou logo com dois pontos de break não concretizados no terceiro parcial. Apesar de haver depois alternância entre jogos mais fáceis de fechar e outros que obrigaram à entrada em cena do primeiro serviço para desequilibrar como foi acontecendo com o russo, o português mostrava-se confiante, fez o 4-4 e o 5-5 com jogos em branco mas voltou a ceder no pormenor… vulgo tie break: Rublev voltou a trazer o melhor jogo para o court no momento decisivo, fez quatro pontos seguidos e voltou a ganhar no desempate por 7-2 para fechar a partida.