Numa altura em que o resultado passa para segundo plano em termos de importância, Portugal sabia de antemão que a tarefa frente ao Chile ia ser bem mais difícil do que os números mostravam. Afinal, os chilenos falharam o apuramento para o Campeonato do Mundo depois de terem somado apenas duas vitórias nos 18 jogos da qualificação sul-americana. Nesse sentido, a roja chegou ao Estádio Nacional a meio de uma reformulação a todos os níveis e a Seleção Nacional estava avisada para a boa imagem que o Chile queria deixar frente a uma das melhores equipas do mundo. Apesar de ter dominado, a Seleção Nacional mostrou dificuldades no capítulo da finalização, mas acabou por chegar à vitória na segunda parte, com golos de Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes, que igualou Nuno Gomes como o quinto internacional português com mais golos de sempre (29).

Guedes saiu na frente para ser o quebra-gelo de quem ainda pensa nos passos que tem de dar (a crónica do Portugal-Chile)

Apesar dos dois golos, Portugal acabou por sofrer no fim, mas o triunfo acabou por não sofrer contestação. Este jogo ficou ainda marcado pela estreia de Cristiano Ronaldo no Estádio Nacional e pela expulsão de Rafael Leão, que pode falhar o primeiro jogo da Seleção no Mundial. Olhando aos números, Portugal leva agora quatro jogos sem perder, tendo apenas uma derrota nos últimos 12 jogos e um desaire nos últimos 18 jogos em casa. Ainda assim, acabou a série de dois jogos consecutivos sem sofrer golos. Esta foi a sexta vez que Portugal venceu o penúltimo particular de preparação para o Campeonato do Mundo, tendo empatado apenas dois. Curiosamente, a última caminhada para uma grande competição também passou pelo Jamor, com a Croácia a levar a melhor no penúltimo duelo de 2024.

“Acho que, como jogo amigável, foi um jogo interessante pois permitiu trabalhar vários aspetos. Na primeira parte estivemos bem, colocámos o Chile no seu meio-campo, mas faltou melhor finalização. Na segunda parte tivemos mais espaço e acentuou a possibilidade de mais duelos. Em relação ao golo sofrido, é um golo que não podemos sofrer e precisamos de perceber onde podemos arriscar a nossa posse de bola. Não podemos levar um cartão vermelho numa situação como esta, porque as equipas da América do Sul têm tendência para o confronto. Além disso, penso que não era para cartão vermelho, porque não foi uma atitude violenta de nenhum dos jogadores. Ainda assim não inventamos desculpas e podemos usar este jogo para preparação também a nível mental”, começou por dizer Roberto Martínez ao Canal 11.

“Substituições mantiveram o nível? Foi isso que ganhámos com a Liga das Nações. A competição e a ligação no balneário é muito positiva. Acho que este jogo pode ajudar a perceber o que precisamos. Toda a gente sabe o talento que temos no balneário e agora temos de ligar os pontos. Acho que foi um bom jogo para preparar a Colômbia. E individualmente foi muito importante o Ruben Dias poder jogar os minutos que jogou. Individualmente fica só a contrariedade do vermelho. Vamos ajustar no próximo jogo. No geral houve aspetos muito bons, outros menos bons. Estamos a começar a conectar e a ganhar um jogo dentro do inesperado que é jogar a segunda parte com dez. Guedes? É um perfil diferente. Com dois jogadores mostra o que pode fazer. Procura espaços, dá polivalência e pode jogar na esquerda. Dá mais opções pelo perfil. Em treino é muito clínico na área. Acho que chega à Seleção com bom pé e o golo será bom sinal para o Mundial”, concluiu na RTP Notícias.