A presidência turca da próxima conferência global sobre alterações climáticas (COP31) apresentou esta terça-feira em Bona a campanha de eletrificação “35% até 2035”, apelando ao desenvolvimento do uso da eletricidade.
Em Bona, nas conferências intermédias sobre o clima, a presidência apelou aos países para se comprometerem com o desenvolvimento da utilização da eletricidade, mas de forma voluntária e não vinculativa.
A cinco meses da COP31 em Antalya (9 a 20 de novembro), a Turquia apresentou, em conferência de imprensa na sede da ONU para as Alterações Climáticas, uma “meta coletiva global de aumentar a participação da eletricidade na procura final de energia de pouco mais de 20% atualmente para 35% até 2035”.
“Esta será uma das principais prioridades da nossa presidência da COP31”, afirmou o presidente da COP31, Murat Kurum.
Esta meta, contudo, faz parte de um conjunto de compromissos voluntários que os países poderão adotar ou não. A iniciativa difere das metas vinculativas e intensamente negociadas estabelecidas todos os anos durante as COP, que necessitam do consenso dos quase 200 países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
A iniciativa reflete o pouco entusiasmo mundial por novos compromissos contra os combustíveis fósseis nas COP e a renovada importância das questões de segurança energética devido à guerra no Médio Oriente. A eletrificação dos veículos, por exemplo, reduz a dependência do petróleo importado.
“A eletrificação é uma das áreas-chave que complementam a energia renovável e a eficiência energética para atingir o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5°C”, argumentou Murat Kurum.
O ministro australiano Chris Bowen, que preside às negociações da COP31 numa divisão de trabalho inédita com a Turquia, que disse apoiar veementemente a agenda esta terça-feira apresentada, já tinha afirmado na segunda-feira que a eletrificação melhora a segurança energética mas também “reduz a necessidade de combustíveis fósseis” e, por conseguinte, as emissões de gases com efeito de estufa.
Simon Stiell, secretário executivo da ONU para as alterações climáticas, considerou que a eletrificação é um ponto de viragem global, impulsionando economias, empregos e níveis de vida, ao mesmo tempo que combate a crise climática global.
“A economia global está a mudar mais rapidamente do que a maioria das pessoas imagina, graças à cooperação climática e à dura realidade económica: a energia renovável é mais barata”, disse.
Berkan Özyer, diretor da organização ambientalista Greenpeace Turquia, saudou a meta da eletrificação como “vital” mas considerou ser “uma profunda contradição” que a Turquia defenda a eletrificação no palco mundial enquanto mantém 37 centrais termoelétricas a carvão em funcionamento e deixa a porta aberta para novos projetos.
Murat Kurum apresentou também como prioridades da Turquia o lixo zero, a segurança alimentar, cidades resilientes (reduzindo a intensidade energética em 25%), industrialização verde, participação juvenil, saúde e educação.